Estudo identifica células cerebrais ligadas ao estresse e aponta novo alvo terapêutico

Pesquisa da UCLA revela que astrócitos sofrem encurtamento de estruturas sob tensão crônica e indica possibilidade de reaproveitar medicamento existente

10 set 2026 - 16h51
(atualizado às 17h06)
Resumo
Estudo da UCLA revela papel crucial dos astrócitos na resposta ao estresse, destacando alterações na amígdala e o potencial de uso do ponesimod, já aprovado para esclerose múltipla, como tratamento para transtornos psiquiátricos.

Pesquisadores da UCLA Health identificaram que os astrócitos, células de suporte do cérebro frequentemente ignoradas em estudos sobre estresse, desempenham um papel fundamental na resposta emocional. A descoberta, publicada na revista Nature, revela que essas células sofrem alterações físicas na amígdala sob estresse, oferecendo um novo alvo para o tratamento de transtornos como ansiedade e depressão.

Foto: Imagem: gerada por IA / Portal Terra / TerrAI

Na amígdala, região cerebral responsável pelo medo e pelas emoções, essas células gliais apresentaram redução no comprimento do cílio primário, estrutura em formato de antena encarregada de captar sinais químicos e físicos do microambiente celular.

Publicidade

Segundo os coautores principais Sara Gutierrez Pelaz, pesquisadora de pós-doutorado na David Geffen School of Medicine da UCLA, e Katsukuni Mitsui, cientista da ONO Pharmaceutical, a maior parte dos estudos sobre humor foca em sinais elétricos entre neurônios, mas os astrócitos participam diretamente da resposta biológica ao estresse.

Como os cientistas reverteram os danos celulares?

A recuperação do tamanho original dos cílios foi obtida por meio de duas abordagens laboratoriais em camundongos: a manipulação direta de receptores nos astrócitos e o uso de substância direcionada ao receptor S1PR1.

Os procedimentos reverteram alterações moleculares no tecido cerebral e reduziram comportamentos associados à ansiedade e à perda de interesse por atividades cotidianas nos animais submetidos a testes experimentais.

Qual remédio pode acelerar futuros tratamentos?

O receptor S1PR1 também está presente no tecido da amígdala humana e é o alvo biológico do ponesimod, medicamento oral aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) para o tratamento de esclerose múltipla.

Publicidade

Baljit Khakh, autor sênior da publicação e professor da UCLA, explicou que a existência de um fármaco já aprovado para uso clínico permite investigar novas terapias psiquiátricas sem a necessidade de sintetizar moléculas inéditas.

A equipe também analisou amostras de tecido cerebral humano de indivíduos diagnosticados com depressão maior, transtorno bipolar e quadros de psicose, constatando variações na atividade de genes ligados aos cílios dos astrócitos semelhantes às observadas nos modelos animais.

Texto gerado com ajuda de Inteligência Artificial e editado pelo nosso time de jornalistas.
TAGS
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se