A hipnose terapêutica induz alterações cerebrais por meio de estímulos verbais e sensoriais, promovendo relaxamento profundo ao desestabilizar o intelecto. Reconhecida no tratamento de ansiedade, fobias, dores e insônia sem recorrer a medicamentos, a técnica ativa recursos internos do próprio paciente. Segundo especialistas, a ferramenta também auxilia na superação de traumas e dependências químicas, oferecendo estratégias naturais de alívio que possibilitam mudanças rápidas e duradouras.
A técnica é utilizada no tratamento de dependências, transtornos de ansiedade, dores e outros problemas de saúde. Seus benefícios também são reconhecidos em áreas como a anestesia cirúrgica, e estudos clínicos mostram que ela pode provocar alterações no funcionamento do cérebro associadas a esse estado hipnótico.
Jean-Marc Benhaiem, médico francês especializado em hipnose terapêutica e responsável pelo Diploma Universitário de Hipnose Médica da Pitié-Salpêtrière, em Paris, explicou como a ferramenta pode ser útil em diferentes situações, de fobias à dependência química.
Segundo ele, uma das formas mais simples de induzir a hipnose é por meio da comunicação verbal. Em seguida, para conduzir o paciente ao estado hipnótico, é preciso "desestabilizar o intelecto", seja com uma música, um som contínuo, uma voz monótona ou a fixação do olhar em um ponto.
O processo é sensorial. Durante a sessão, é necessário estimular um dos cinco sentidos, como a audição ou a visão, ou combinar diferentes estímulos. "É importante falar com calma para que o paciente acompanhe o processo e concorde com cada etapa, favorecendo uma mudança mais profunda e duradoura", diz.
Estresse pós traumático
A hipnose pode ser útil para tratar diferentes problemas, como o estresse pós-traumático, explica o especialista. O objetivo é que o paciente consiga retomar atividades como dirigir após um acidente ou sair à noite depois de ter sido vítima de um assalto, por exemplo.
"Vemos muitas pessoas com síndrome de estresse pós-traumático causada por acidentes ou agressões. O trabalho terapêutico da hipnose é ajudar a pessoa a encontrar recursos internos para não permanecer presa ao trauma e conseguir seguir em frente."
A técnica também pode ser útil no tratamento da dependência química. "Mas isso depende de cada caso. Parar de fumar, por exemplo, costuma ser mais fácil, porque a dependência física tende a ser menor. Já no caso do álcool ou da cannabis, a dependência pode ser mais forte. Ainda assim, é comum nos surpreendermos com pessoas que convivem há muitos anos com um vício grave e, diante de uma situação decisiva na vida, resolvem buscar ajuda", diz. "Pode ser a chegada de um filho, um sofrimento que se tornou insuportável ou o risco de perder o emprego. Quando a pessoa diz: 'Preciso de ajuda', a mudança pode acontecer rapidamente. Em alguns casos, uma única sessão basta", relata.
Distúrbios do sono
Segundo ele, o trabalho terapêutico consiste em identificar formas alternativas de aliviar o estresse e o sofrimento. A técnica busca ativar recursos que já existem no indivíduo, favorecendo mecanismos naturais de bem-estar. O paciente, afirma o especialista, passa a desenvolver a capacidade de se acalmar por conta própria e encontra estratégias mais saudáveis para lidar com suas dificuldades.
De acordo com Benhaiem, esse processo permite que muitos pacientes superem o sofrimento e consigam se libertar da dependência química. A hipnose também pode ser usada para tratar distúrbios do sono. Esse é o caso de Chloé, que decidiu buscar ajuda para tratar uma insônia que persiste há três anos sem recorrer a medicamentos.
"Os clínicos gerais costumam receitar soníferos ou outros remédios, mas nem sempre procuram a causa do problema. Quanto aos psicólogos, infelizmente também existe a questão do tempo disponível nas sessões, porque há coisas que não consigo admitir em um contexto convencional. Com a hipnose, às vezes, uma ou duas sessões podem resolver a questão."
Chloé já havia se livrado de uma fobia de pombos no passado graças à hipnose e, por isso, decidiu recorrer novamente à técnica. "A gente sente um relaxamento sem necessariamente adormecer. É um relaxamento leve, muito leve. Como se meu corpo experimentasse um estado de relaxamento que não vivia há muito tempo. É uma verdadeira pausa no cotidiano, em meio a tudo o que passa pela nossa cabeça o tempo todo."