Acordar no meio da noite, hoje associado à insônia, pode ser um resquício biológico do sono bifásico, padrão comum antes da Revolução Industrial. Evidências do historiador Roger Ekirch e do psiquiatra Thomas Wehr mostram que, na Idade Média e Moderna, as pessoas dividiam o descanso em duas etapas: dormiam cedo, acordavam de madrugada para orar ou socializar e depois voltavam a dormir até o amanhecer, hábito comprovado cientificamente ao se retirar a luz artificial em ambientes de teste.
Acordar no meio da madrugada é algo comum para muita gente. Hoje, costumamos associar esse despertar noturno a problemas para dormir ou insônia. No entanto, para alguns especialistas, isso pode ser apenas a lembrança de um hábito antigo, enraizado em nossos padrões biológicos há séculos.
O sono bifásico é um padrão de descanso no qual as horas de sono são divididas em dois blocos distintos, separados por um período de vigília. Esse conceito ganhou força após os estudos independentes conduzidos pelo historiador Roger Ekirch e pelo psiquiatra Thomas Wehr.
Ao analisar documentos históricos que abrangem a Idade Média e a Idade Moderna, Ekirch encontrou menções recorrentes ao que chamavam de "primeiro sono". Intrigado, ele reuniu uma série de evidências em textos literários e registros oficiais que confirmavam a existência generalizada do sono bifásico nessas épocas.
Como funcionava a rotina noturna no passado
Conforme explicou o historiador à BBC, esse padrão começava com um primeiro período breve, geralmente entre 21h e 23h. Em seguida, vinha um intervalo acordado no meio da noite, aproveitado para as mais diversas atividades — de conversas e orações a visitas sociais. Após essa pausa, as pessoas voltavam a dormir até o amanhecer.
Já Thomas Wehr chegou a conclusões semelhantes por meio de um experimento científico. O pesquisador reuniu 15 homens em um ambiente controlado e retirou completamente a iluminação artificial, reduzindo a exposição diária à luz de 16 para apenas 10 ...
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