"Porta do Inferno", cratera em chamas no deserto de Caracum, surgiu muito depois do que se acreditava

Cratera que expele fogo e metano não foi acesa em 1971; país tenta frear impacto ambiental

2 out 2026 - 08h43
(atualizado às 10h20)
Resumo
A famosa cratera de gás apelidada de "Porta do Inferno", no deserto de Caracum, no Turcomenistão, tem sua origem revista pela ciência. A versão popular de que engenheiros soviéticos incendiaram o local em 1971 após um desabamento durante perfurações está sendo desmistificada. Uma pesquisa baseada em dados de satélite revelou que a formação em chamas não apresentava anomalias térmicas na época, sugerindo que o evento que deu início ao fogo perpétuo aconteceu muito depois do que se acreditava.
Foto: Flickr / Xataka

No meio do deserto de Caracum, no Turcomenistão, podemos encontrar um buraco quase perfeito no solo, com aproximadamente 70 metros de diâmetro, que até hoje está coberto de chamas. A história popular afirma que, em 1971, um grupo de engenheiros soviéticos ateou fogo a uma cratera de gás que havia desabado, na esperança de que as chamas se apagassem sozinhas em algumas semanas — mas, 50 anos depois, esse poço continua queimando e, para muitos, é conhecido como a "Porta do Inferno".

Depois de um evento que ocorreu há várias décadas, é lógico que a história sobre o que realmente aconteceu tenha sido bastante distorcida. E, neste caso, acredita-se que, em 1971, um grupo de geólogos estava procurando gás natural pelo deserto, realizando diferentes perfurações no solo, mas chegou um momento em que o solo literalmente desabou e fez com que o equipamento desaparecesse em uma grande cratera que liberava gases tóxicos.

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O mais preocupante para as autoridades naquele momento era justamente o efeito nocivo que esses gases poderiam ter sobre toda a população. Por isso, os engenheiros atearam fogo para que o metano fosse consumido. Mas, até hoje, essa cratera continua ativa.

Desfazendo o mito

Diversas pesquisas tentam explicar o que realmente aconteceu nessa cratera. Um estudo, publicado em junho de 2026 na Geophysical Research Letters, utilizou imagens de satélite para reconstruir a história térmica da cavidade. E seus resultados indicaram que não havia nenhuma anomalia térmica na região ...

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