OpenAI diz ter resolvido em 88h problema matemático sem resposta há 90 anos — e a acusação feita por dois pesquisadores sobre a empresa

A divulgação de que a OpenAI conseguiu resolver partes das equações de Navier-Stokes gerou controvérsia rapidamente.

9 set 2026 - 17h39
Resumo
A OpenAI anunciou ter solucionado em 88 horas um enigma de 90 anos ligado às equações de Navier-Stokes, usando um novo modelo de IA e milhares de robôs autônomos. A conquista, ainda não verificada de forma independente, gerou controvérsia: pesquisadores alegam que a empresa se apropriou de dados do progresso deles obtidos via ferramenta Codex. A OpenAI nega espionagem direta, admitindo apenas o possível uso de dados anonimizados, e declarou que não reivindicará a premiação pelo feito.
Os modelos de IA mais recentes estão tentando provar suas capacidades matemáticas
Os modelos de IA mais recentes estão tentando provar suas capacidades matemáticas
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

A OpenAI, empresa dona do ChatGPT, anunciou na terça-feira (08/09) ter encontrado em 88 horas a solução para um problema matemático complexo que ficou sem solução por 90 anos.

Segundo a companhia, a questão foi resolvida em 88 horas com um novo modelo de inteligência artificial (IA) e cerca de 10 mil robôs que executam tarefas de forma relativamente autônoma.

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O problema fazia parte das equações de Navier-Stokes, que descrevem o movimento de fluidos.

Por nove décadas, aspectos importantes desses problemas careciam de uma prova, ou seja, da demonstração que fundamenta uma equação matemática correta.

A OpenAI classificou a solução encontrada como um "marco" e como uma comprovação da rápida evolução das ferramentas de IA.

Matemáticos acusam a empresa

A solução da OpenAI ainda não foi verificada de forma independente nem aceita publicamente pelo Instituto Clay Mathematics, uma organização sediada nos EUA que organiza o Prêmio Millennium, oferecendo uma grande quantia em dinheiro para quem resolver primeiro determinados quebra-cabeças matemáticos.

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Mas o anúncio feito pela empresa já provocou uma forte reação.

Tristan Buckmaster, professor de matemática da Universidade de Nova York, afirmou na terça-feira que ele e Levent Alpöge, matemático da Anthropic (empresa concorrente da OpenAI), também vinham trabalhando em uma solução para o problema.

A dupla usa a ferramenta Codex, da OpenAI. Mas Buckmaster disse que, em 3 de setembro, descobriu que "informações sobre nosso progresso haviam sido repassadas para a OpenAI".

A declaração de Buckmaster foi feita no mesmo dia, mas horas antes de a OpenAI publicar sua conquista com as equações de Navier-Stokes.

Buckmaster alegou que a OpenAI só começou a trabalhar nas equações "depois que as informações sobre nosso trabalho chegaram até eles".

Ele apresentou trechos de e-mails que trocou com a OpenAI sobre o trabalho e suas preocupações com os prazos e métodos da empresa.

Buckmaster afirmou não ter lido o trabalho completo feito pela OpenAI com as equações, mas sentiu-se compelido a tornar público "o que eles me disseram, quando e o que propuseram".

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"Porque a alternativa é deixar uma série de anúncios dizer algo que eu sei que é falso", disse o matemático.

A versão da OpenAI

Sam Altman, CEO da OpenAI; empresas de IA estão competindo para alcançar o sistema mais poderoso possível
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Na terça-feira, a OpenAI parabenizou Buckmaster e Alpöge pelo seu "trabalho simultâneo", classificando-o como "extraordinário".

A empresa assegurou não ter visto "qualquer trabalho deles através de qualquer meio até que eles fizessem a divulgação" e que nenhum dado de usuário foi acessado durante a resolução do problema de Navier-Stokes.

"Embora improvável, não podemos descartar a possibilidade de que dados anonimizados derivados do uso de nossos produtos possam ter contribuído para o aprimoramento de nossos modelos", acrescentou a empresa.

A OpenAI anunciou que, no final de agosto, começou a treinar um novo modelo que rapidamente demonstrou sua aptidão para matemática.

Modelos de IA são programas de computador treinados com grandes quantidades de dados para reconhecer e prever padrões em informações.

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Embora o novo modelo da OpenAI seja de uso exclusivo da empresa — por ser "significativamente mais capaz" do que o modelo de IA mais recente da companhia —, seus pesquisadores decidiram utilizá-lo em certos problemas matemáticos avançados importantes.

Esforço tecnológico e financeiro

Estima-se que encontrar a solução teria custado US$ 10 milhões em poder de processamento
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

A OpenAI admitiu que, em 1º de setembro "ouviu rumores de que dois problemas do Prêmio Millennium tinham sido resolvidos" e por isso decidiu colocar milhares de robôs treinados no novo modelo interno para trabalhar em questões ainda não solucionadas.

Em 5 de setembro, ou cerca de 88 horas depois, anunciou ter resolvido o chamado problema de existência e suavidade de Navier-Stokes.

A questão tem a ver com a turbulência, um fenômeno ainda não totalmente compreendido.

Embora aparentemente os robôs de IA tenham levado pouco tempo para encontrar uma solução para a equação de Navier-Stokes, a OpenAI afirmou que eles trocaram quase 3 milhões de mensagens e usaram 130 bilhões de tokens de saída (linhas individuais de texto e código que um modelo de IA produz em suas respostas).

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Pelos preços que a empresa utiliza para seus modelos mais avançados, esse esforço teria custado aproximadamente US$ 10 milhões (cerca de R$ 50 milhões).

A solução que a OpenAI afirma ter alcançado resolve duas das quatro afirmações que o Prêmio Millennium exigia para confirmar a prova.

O prêmio prevê US$ 1 milhão (R$ 5 milhões) para o vencedor.

"Nosso objetivo ao publicar este resultado é relatar um progresso substancial de nossos modelos de IA", afirmou a OpenAI na terça-feira. "Não pretendemos reivindicar o Prêmio Millennium por este resultado."

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