Um estudo publicado na Nature Geoscience revelou que o interior da Terra pode abrigar grandes reservas de água a quase 2.900 km de profundidade, na fronteira entre o manto e o núcleo. Ao recriarem em laboratório as condições extremas dessa região — com temperaturas acima de 2.500 °C e pressões dois milhões de vezes maiores que a da superfície —, pesquisadores sintetizaram novos minerais capazes de reter água, sugerindo a existência de reservatórios subterrâneos primordiais.
A origem da água na Terra continua sendo um dos maiores mistérios da geologia. Há décadas, a comunidade científica tenta entender se existem reservatórios subterrâneos que teriam ficado selados desde os primeiros momentos da formação do planeta, há bilhões de anos.
Agora, um estudo internacional publicado na renomada revista Nature Geoscience trouxe evidências concretas sobre o tema. Ao reproduzir as condições extremas presentes no limite do núcleo terrestre, uma equipe de pesquisadores sintetizou novos minerais capazes de capturar e reter água mesmo sob pressões e temperaturas colossais.
Como é possível encontrar água a 2.900 quilômetros sob a Terra?
A cerca de 2.900 quilômetros abaixo dos nossos pés fica a fronteira entre o manto inferior e o núcleo da Terra — uma região dominada por condições quase inimagináveis. Nessa profundidade, a pressão chega a ser aproximadamente dois milhões de vezes maior que a pressão atmosférica da superfície (atingindo quase 200 gigapascais), com temperaturas que superam facilmente os 2.500 °C.
Para conseguir investigar profundezas tão inacessíveis, os cientistas precisaram recriar esse ambiente extremo em laboratório. Konstantin Glazyrin, líder de operação da linha de luz de alta pressão P02.2 no síncrotron DESY (Deutsches Elektronen-Synchrotron), explicou o método ao site oficial do DESY:
"Não podemos simplesmente perfurar a Terra até o fundo para coletar amostras: o poço mais profundo já escavado atingiu apenas cerca de 12...Matérias relacionadas