No início de 2026, o fechamento do Estreito de Ormuz abalou os mercados de energia. Os consumidores, assustados com a volatilidade dos combustíveis fósseis, buscaram alternativas em todas as direções. O que eles descobriram foi um paradoxo intrigante: o planeta tinha — e ainda tem — um excedente histórico de energia limpa e barata. Painéis solares não eram escassos. Eram abundantes. E ninguém sabia ao certo o que fazer com eles.
O economista Adam Tooze resumiu isso em sua coluna no Financial Times: "Energia limpa, numa escala que teria parecido utópica na época do Acordo de Paris, em 2015, agora está ao nosso alcance. O preço dos painéis solares despencou. E, no entanto, as fábricas estão paralisadas." Isso não é retórica. É um diagnóstico.
Após um aumento maciço nos investimentos desde 2020, as empresas chinesas atingiram uma capacidade de produção de 1.000 gigawatts de painéis solares por ano. Para colocar isso em perspectiva: em 2023, a demanda global era de apenas 451 GW, segundo a Energy News. A produção de células solares da China naquele ano — 588 GW — já dobrou a demanda internacional. E eles continuaram construindo.
O resultado foi o que os economistas chamam de "devolução": uma espiral de competição destrutiva em que as empresas se destroem mutuamente sem que nenhuma delas saia vitoriosa. Mais de 40 fabricantes chineses faliram, foram adquiridos ou deixaram de ser negociados na bolsa. Um terço da força de trabalho das cinco maiores empresas sobreviventes foi demitida. ...
Matérias relacionadas
O passo a passo definitivo para higienizar a sua cafeteira de cápsula e evitar larvas no seu café