Estudo da Universidade de Hokkaido aponta que os arrozes preto e verde possuem lipídios raros que desaceleram a absorção de açúcar, auxiliando no controle da glicemia e promovendo benefícios metabólicos e anti-inflamatórios.
O arroz preto e o arroz verde podem ser muito mais do que apenas acompanhamentos coloridos no prato. Um estudo da Universidade de Hokkaido identificou nessas variedades lipídios raros, associados a benefícios anti-inflamatórios e à melhoria da saúde metabólica, revelando um potencial nutricional antes negligenciado.
Embora mais de 85% do grão seja composto por amido, cerca de 10% por proteínas e aproximadamente 2% por gorduras, a fração lipídica exerce papel central na qualidade nutricional. O trabalho concentrou a análise no arroz japonica, tipo de grão curto a médio que representa 15% do consumo mundial.
A investigação avaliou 56 cultivares coletadas no Japão, abrangendo amostras marrons, vermelhas, pretas e verdes, com resultados publicados na revista Food Research International.
"Embora os lipídios constituam apenas uma pequena proporção do arroz, eles são fundamentais para determinar seu valor nutricional", explica o autor principal do estudo e professor Siddabasave Gowda. O pesquisador complementa que essas moléculas "ajudam a manter a integridade da membrana celular, armazenar energia e apoiar processos de sinalização essenciais no corpo."
Quais compostos foram identificados nos grãos?
O mapeamento por cromatografia líquida e espectrometria de massa identificou 196 moléculas lipídicas distribuídas em cinco grupos estruturais. O arroz preto e o verde alcançaram as pontuações mais altas no índice de promoção da saúde elaborado pelos pesquisadores.
Como essas variedades atuam na digestão?
Ensaios laboratoriais com enzimas digestivas indicaram que o amido do arroz preto e do verde se decompõe de forma mais lenta do que o do grão branco comum. Essa taxa de digestão gradual faz com que a glicose entre na corrente sanguínea de maneira progressiva.
Segundo a equipe científica, essa característica favorece o controle do diabetes tipo 2 e a proteção cardiovascular, abrindo caminho para o desenvolvimento de alimentos funcionais a partir de recursos agrícolas ricos em lipídios bioativos.