Quando pensamos em nossa galáxia, geralmente a vemos como algo estável e constante: bilhões de estrelas girando em uma ordem que sempre esteve lá. A intuição mais difundida, mesmo entre parte da comunidade científica até algumas décadas atrás, era que a Via Láctea havia se formado gradualmente, adicionando massa pouco a pouco, sem traumas graves.
Nada poderia estar mais longe da verdade. A Via Láctea que você vê ao olhar para o céu em uma noite clara éo resultado de uma colisão brutal entre galáxias há cerca de 10 bilhões de anos, muito antes do Sol existir. Mas o que é realmente impressionante é como essa medição "arqueológica" da nossa galáxia foi feita, e quem demonstrou isso com dados, não com intuição, acabou de ganhar o maior prêmio possível em sua área.
Estrelas que funcionam como DNA cósmico
A Academia Norueguesa de Ciências e Letras concedeu o Prêmio Kavli de Astrofísica 2026 - equivalente ao Prêmio Nobel nesta disciplina - a três pesquisadores: a argentina Amina Helmi, da Universidade de Groningen; Vasily Belokurov, do Instituto de Astronomia de Cambridge; e Rodrigo Ibata, do CNRS e da Universidade de Estrasburgo. Os três reconstruíram, usando estrelas como se fossem fósseis, o passado violento da nossa galáxia.
A área em que Helmi atua é chamada de arqueologia galáctica, e o nome não é coincidência. Assim como um sítio preserva camadas que contam a história de uma civilização, o halo que cerca a Via Láctea preserva os restos ...
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