A transformação digital já não é mais uma promessa distante: está acontecendo agora e mudando o mercado de trabalho em um ritmo cada vez mais rápido. De acordo com o relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, até 170 milhões de novos empregos devem surgir até 2030, muitos deles nas áreas de tecnologia e dados.
Ao mesmo tempo, esse movimento traz um alerta importante: será preciso se adaptar. O estudo indica que cerca de 22% dos empregos atuais devem passar por mudanças, reforçando a necessidade de se atualizar, seja para crescer na carreira ou buscar novos caminhos.
E não é só teoria: a pesquisa "As habilidades que vão fazer diferença no mercado de trabalho na próxima década", realizada pela Impulso por meio da MindMiners, mostra que 78% das pessoas acreditam que o aprendizado contínuo será essencial para se manter no mercado nos próximos anos.
Por isso, vale a pena entender quais carreiras estão ganhando espaço e como elas funcionam na prática. Confira!
1. Especialista em inteligência artificial e machine learning
Esse profissional desenvolve algoritmos e sistemas capazes de aprender, analisar dados e tomar decisões de forma autônoma. Atua desde a criação de assistentes virtuais até soluções para a indústria e medicina. A ampliação do acesso digital e os avanços em IA generativa tornam esse profissional essencial para a transformação digital das empresas.
No nível sênior, é hoje uma das figuras mais disputadas e escassas do mercado: encontrar profissionais com experiência real em produção de modelos de IA é um dos maiores desafios enfrentados pelas empresas globalmente.
2. Especialista em segurança digital no setor financeiro
O "Relatório Global sobre a Lacuna de Habilidades em Segurança Cibernética 2024", da Fortinet, estima que o Brasil precisa de cerca de 750 mil profissionais de segurança digital. Além disso, o "Guia Salarial 2026", da Robert Half, confirma que Segurança da Informação é uma das áreas com maior número de vagas previstas para este ano.
O profissional desta área é responsável por proteger sistemas, redes e dados contra ataques, garantindo a privacidade e a integridade das informações empresariais e pessoais. A profissão é também uma das mais aquecidas no setor financeiro, com cada vez mais profissionais protegendo transações financeiras, evitando ataques a aplicativos e APIs bancárias e atuando em Open Finance e Pix.
"O Brasil tem, reconhecidamente, um dos sistemas de pagamentos mais avançados e seguros do mundo. Isso não significa que estamos imunes a incidentes, pois nenhum sistema no mundo está. Mas significa que temos estrutura para detectar, conter e responder com rapidez. O amadurecimento do setor nos últimos anos, especialmente com a chegada das fintechs e do open finance, também trouxe mais inovação em segurança", destaca Gustavo Siuves, especialista em tecnologia financeira e CRO da Azify.
3. Cientista e engenheiro de dados
Dados da The Chronicle of Higher Education revelam que a demanda por cientistas de dados cresceu mais de 650% desde 2012. Atualmente, a profissão está entre as 20 que mais crescem nos Estados Unidos, com estimativa de expansão de 31% nos próximos 10 anos e cerca de 11,5 milhões de novos empregos na área até 2026.
Esses profissionais transformam grandes volumes de dados em insights acionáveis. Empresas de todos os setores estão em busca desses especialistas para entender padrões, prever tendências e tomar decisões baseadas em dados, principalmente quando direcionadas ao comportamento do consumidor.
4. Especialista em Big Data
O mercado brasileiro de Big Data Analytics deve atingir US$ 5,53 milhões até 2029, segundo a Mordor Intelligence. Com a explosão da quantidade de dados gerados diariamente por conta do uso de aplicativos, redes sociais, entre outros, profissionais especializados em big data se destacam porque são capazes de processar e analisar grandes volumes de informações, ajudando as organizações a identificar oportunidades e melhorar sua estratégia.
É também uma profissão crescente no segmento financeiro, onde esses especialistas são responsáveis por analisar grandes volumes de transações em tempo real, aprimorar modelos de crédito e identificar padrões de comportamento. "Entender a importância do compartilhamento de dados e adotar práticas seguras pode trazer inúmeros benefícios, tanto para consumidores quanto para empresas, promovendo um ambiente digital mais seguro e eficiente", destaca o especialista em tecnologia financeira e CEO da fintech Lina Open X, Alan Mareines.
5. Especialista em governança de dados
À medida que as regulamentações de privacidade e proteção de dados, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), se tornam mais rígidas, a governança de dados ganha mais importância. Profissionais dessa área criam políticas e processos para garantir que os dados sejam gerenciados com segurança, eficiência e em conformidade com a legislação.
"A governança de dados abrange um conjunto de práticas, processos e políticas que garantem a qualidade, segurança e uso ético dos dados. Com a IA, esses aspectos tornam-se ainda mais críticos", destaca o especialista em estratégia corporativa e transformação organizacional Paulo Simon, da Keyrus no Brasil. "Além disso, a governança de dados assegura que os dados utilizados sejam precisos, completos e atualizados, o que é essencial para o treinamento eficaz e confiável dos modelos de IA, melhorando assim a performance dos algoritmos".
6. Especialista em BI e estratégia data-driven
Business Intelligence (BI) é uma ferramenta essencial para empresas que querem tomar decisões com mais segurança, baseadas em dados reais, transformando informações do dia a dia em insights claros e estratégicos.
Por isso, especialistas em BI e em estratégias orientadas por dados (data-driven) têm um papel fundamental no mercado atual: eles ajudam as organizações a entender melhor seus resultados, identificar tendências de mercado, encontrar oportunidades de crescimento e otimizar processos internos. Com esse suporte, as empresas conseguem tomar decisões mais corretas e alcançar resultados mais consistentes no negócio.
7. Especialista em defesa cibernética
A defesa cibernética é uma parte da cibersegurança que entra em ação quando um ataque já está acontecendo. Enquanto a cibersegurança também envolve prevenir problemas e proteger sistemas, a defesa cibernética foca em reagir rapidamente para conter a ameaça.
No dia a dia, esses profissionais monitoram os sistemas, identificam invasões em tempo real e agem para reduzir os danos. Também são responsáveis por recuperar as operações o mais rápido possível, garantindo que a empresa volte à normalidade com o menor impacto.
Conforme explica Fernando Corrêa, especialista em segurança cibernética e governança corporativa, da Security First, "o que antes era ação pontual tornou-se uma indústria altamente automatizada. Com o uso crescente de inteligência artificial, ataques são personalizados em escala, explorando comportamento humano com precisão cada vez maior", o que torna esse profissional indispensável.
8. Arquiteto de soluções em nuvem
Esse profissional é responsável por planejar, estruturar e gerenciar ambientes de computação em nuvem, ou seja, garantir que sistemas, dados e aplicações funcionem de forma segura, eficiente e com bom custo-benefício. Na prática, ele define como tudo isso será organizado na nuvem, pensando em desempenho, crescimento do negócio e proteção das informações.
"A crescente migração para soluções em nuvem e ambientes híbridos multicloud torna esse profissional estratégico para a infraestrutura digital moderna", explica o especialista em mercado de trabalho em tecnologia e CEO da Impulso, Sylvestre Mergulhão.
Por isso, arquitetos sêniores, especialmente aqueles com experiência em projetos mais complexos e em diferentes plataformas de nuvem (multicloud), estão entre os profissionais mais disputados do mercado e, também, entre os mais difíceis de reter nas empresas.
9. Engenheiro de software (com foco em metodologias ágeis)
Desenvolve e mantém sistemas e aplicações, utilizando metodologias ágeis e práticas de DevOps para entregas rápidas e seguras. A transformação digital acelerada exige profissionais que dominem não apenas programação, mas também metodologias que garantam agilidade na inovação.
Engenheiros sêniores com sólida experiência em arquitetura de sistemas e liderança técnica de squads são disputadíssimos e frequentemente contratados antes mesmo de estarem disponíveis no mercado.
10. Especialista em Internet das Coisas (IoT)
Esse profissional é responsável por projetar e colocar em prática sistemas que conectam dispositivos físicos à internet, como sensores, eletrodomésticos, máquinas e equipamentos. Na prática, ele desenvolve soluções que permitem automatizar tarefas e tornar ambientes mais inteligentes, seja em casas, empresas, cidades ou até na área da saúde.
Essa profissão está em alta porque cada vez mais dispositivos estão conectados, tanto em ambientes residenciais quanto corporativos e industriais. Com isso, cresce também a demanda por profissionais capazes de garantir a comunicação entre esses dispositivos e analisar os dados gerados por eles.
Por Letícia Carvalho