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Quarta, 19/7/2000

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Fernão Lara Mesquita

Dezessete anos atrás, logo depois da abertura promovida por Deng Xiaoping, fiz uma viagem de 40 dias pela China, o primeiro país comunista que conheci com algum grau de intimidade. Muitas coisas me impressionaram no que vi ali. Tanto que até hoje me lembro da enorme dificuldade que tive para conseguir "resumir", em quatro generosas páginas de jornal, as impressões que colhi nessa viagem, tantas eram as que giravam, em desordem, na minha cabeça, cada uma me parecendo mais essencial que a outra.

Passados todos esses anos, o que me ficou daquela experiência, além de todas as boas lembranças, pode ser sintetizado numas poucas frases, que deixo para mais adiante.

Este ano, por circunstâncias fortuitas, tive a oportunidade de visitar Cuba por duas vezes. Na primeira, no início de fevereiro, apenas "esbarrei" com o país e seu povo. Fui até lá como turista, decidido a me dedicar aos peixes e ao mar, e não às pessoas e seus dramas.

Os acasos da profissão me levaram de volta à ilha de Fidel muito antes do que eu esperava vê-la de novo, na última semana de junho, acompanhando um grupo de empresários do capítulo brasileiro do Conselho de Empresários da América Latina (Ceal) que, junto com o Secretário de Comércio Exterior do governo brasileiro, Roberto Gianetti da Fonseca, foram a Cuba para ouvir ofertas de negócios e oportunidades da nova geração de ministros e funcionários do governo cubano que está liderando a "abertura econômica" com a qual esperam tirar o país do estado de choque em que caiu depois do desaparecimento da União Soviética.

O que passo a relatar é fruto do que vi e, principalmente, do que ouvi de gente mais experiente que eu neste assunto, nesses dias de uma imersão razoavelmente intensa nos problemas de Cuba, que me trouxeram à mente o que vi e ouvi anos atrás na China.
Agência Estado


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