Confusão na CPMI do 8 de Janeiro tem troca de farpas, tapa na mesa e acusação de cuspe; veja vídeos
Marco Feliciano teria batido na mesa para responder à senadora Soraya Thronicke; outros parlamentares intervieram e Rogério Carvalho foi acusado de cuspir no deputado do PL
Parlamentares protagonizaram uma confusão na sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro, que ouve o ex-ministro da Justiça Anderson Torres nesta terça-feira, 8. Depois de um discurso inflamado do deputado Marco Feliciano (PL-SP), membros da comissão discutiram por causa de um tapa que ele teria dado na mesa ao responder à senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS). Depois disso, o pastor acusou o senador Rogério Carvalho (PT-SE) de ter cuspido nele e a senadora pediu que "mãos bobas" e gracejos não fossem filmados durante a fala dela.
O clima na CPMI começou a ficar acalorado durante a fala de Feliciano. Ele parabenizou Torres, a quem chamou de "herói brasileiro". O deputado fez duras críticas a "comunistas e esquerdistas". "Se eles pudessem, matariam todos nós, conservadores. Nos colocariam em paredão de fuzilamento."
A declaração provocou uma reação do colegiado. O presidente da comissão, Arthur Maia (União Brasil-BA), precisou intervir para pedir que os parlamentares se acalmassem. Nesse momento, Soraya questionou o pastor sobre a generalização feita no discurso. Ele respondeu: "Se a carapuça serviu...". Neste momento, Feliciano teria batido na mesa.
Na sessão da CPMI do 8 de Janeiro nesta terça-feira, 8, houve uma discussão entre parlamentares depois da fala do deputado @marcofeliciano (PL-SP). Duarte Júnior (PSB-MA) disse que o colega bateu na mesa para responder à senadora @SorayaThronicke (Podemos-MS). pic.twitter.com/htQr8swFnF
— Política Estadão (@EstadaoPolitica) August 8, 2023
Rogério Carvalho e o deputado Henrique Vieira (PSOL-RJ) se levantaram para discutir com Marco Feliciano. "Esse pessoal da esquerda, do mimimi, os mimizentos. A senadora (Soraya) pode colocar o dedo no meu nariz e eu não posso falar nada?", questionou Feliciano.
Tanto o presidente do colegiado quanto a relatora, Eliziane Gama (PSD-MA), defenderam Soraya e passaram a palavra ao deputado Duarte Júnior (PSB-MA), que abriu o discurso repreendendo o colega. "Presidente, eu gostaria só de pedir mais calma ao pastor Marco Feliciano, que simplesmente bateu aqui na mesa. Minha solidariedade à senadora." Ao fundo da sessão, parlamentares gritaram para ele deixar de ser "covarde". "Tenha calma. Para que o desequilíbrio? Está com medinho do quê?", respondeu o maranhense.
O deputado Marcos Feliciano acusou o senador @SenadorRogerio (PT-SE) de ter cuspido nele. pic.twitter.com/lK07xQdCgJ
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Depois que Rogério Carvalho terminou de discursar, mais adiante na sessão, Feliciano interrompeu o colega e o acusou de ter cuspido nele. "Ele cuspiu em mim e disse 'cuspirei de novo', seu presidente." Maia se limitou a pedir aos parlamentares que se acalmassem, mas depois atendeu o pedido do deputado do PL para que seja feita uma perícia nas imagens da sessão.
Soraya Thronicke pediu que a TV Senado fechasse a gravação nela antes de se pronunciar, para que "mãos bobas" e parlamentares "que ficam fazendo gracejos" não aparecessem na imagem dela nos registros da CPMI. "Mãos bobas e parlamentares que ficam fazendo gracejos por trás da nossa imagem enquanto falamos, atitudes vergonhosas... Não gostaria de ter essa imagem atrelada à minha quando estou falando", pediu a senadora.
Quando foi sua vez de falar, Soraya Thronicke pediu que as imagens fossem fechadas no rosto dela, para que "mãos bobas" e "gracejos" feitos pelos colegas do colegiado não ficassem registrados ao lado da imagem dela. pic.twitter.com/nvIYYQ9sCt
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'Aberração jurídica'
A CPMI do 8 de Janeiro ouve nesta terça-feira Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PL) e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal. No depoimento, quando foi questionado sobre a minuta do golpe que foi apreendida na casa dele logo após o episódio, Torres chamou o documento de "aberração jurídica".
Relatórios da CPMI obtidos pelo Estadão mostram que, mesmo depois de receber alertas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre a iminência dos ataques do 8 de Janeiro, Torres antecipou suas férias. Ele estava nos Estados Unidos no 8 de Janeiro, enquanto era secretário no DF.