Votou? Não votou? Como a ausência política interfere na nossa vida
A ausência por escolha nas decisões políticas, em muitos casos, interessa mais ao Estado e interfere mais na nossa vida do que imaginamos
Nas últimas semanas, falamos muito sobre as funções desempenhadas por quem ganha o nosso voto na ida às urnas, como acompanhar nossos candidatos e a importância de falar sobre política no nosso cotidiano. Nesse período que sucede o primeiro turno, decidi relembrar coisas que aprendemos juntos com as fontes que ajudaram o Simplão até aqui.
Pensando na importância do diálogo e das manifestações políticas em todos os espaços, principalmente considerando a grandiosidade e a potência das periferias, o Nauê Bernardo, cientista político destacou os impactos da ausência disso neste espaço.
"Se essa população se vê com necessidades imediatas ignoradas e tampouco consegue ser incluída de fato no debate, o que ocorre nos altos escalões do poder passa a ser indiferente, haja vista a impossibilidade disso vir a mudar efetivamente suas vidas para melhor - especialmente em áreas esquecidas pelo Estado", explica.
Neste mesmo contexto, o cientista político Márcio Juliboni trouxe a reflexão sobre quem são os interessados e os impactados pela falta de envolvimento político - seja pelo voto branco ou nulo, seja pela falta de interesse e espaço para falar sobre isso.
"Educação política não é doutrinação ideológica, mas, sim, o conhecimento das diversas funções do governo, dos princípios da política pública e das engrenagens do Estado, como a Câmara e o Senado. Quanto mais o povo souber o papel de deputados e senadores, melhor cobrará o bom desempenho de suas funções. Sem isso, ficamos sujeitos aos caprichos dos parlamentares, às emendas secretas, aos orçamentos paralelos, à falta de interesse do Congresso em encaminhar soluções para os grandes e graves problemas nacionais", relembra o cientista.
Conversei com muita gente para elaborar cada uma das conversas que tivemos e ainda teremos por aqui, mas essas duas falas, no atual contexto, são as que mais fazem sentido pra mim. A nossa ausência por escolha nas decisões políticas, em muitos casos, interessa muito mais ao Estado e interfere muito mais na nossa vida do que a gente imagina. Bora conversar sobre isso, então?
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