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Estátua de Daniel Alves deve ser mantida em sua cidade natal

Ex-jogador viveu infância pobre em Juazeiro, na Bahia. Cidade o homenageou com monumento de bronze em praça pública

22 fev 2024 - 11h41
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A estátua do ex-jogador Daniel Alves, inaugurada em 2020 em Juazeiro, sua cidade natal, custou R$ 150 mil
A estátua do ex-jogador Daniel Alves, inaugurada em 2020 em Juazeiro, sua cidade natal, custou R$ 150 mil
Foto: Lance!

A estátua do ex-jogador Daniel Alves, inaugurada em 2020 em sua cidade natal, Juazeiro, na Bahia, deve permanecer na praça do Vaporzinho, na orla turística. Segundo a assessoria da prefeita Suzana Alexandre de Carvalho Ramos (PSDB), “no atual momento, esse assunto não está em pauta, portanto não estamos avaliando o tema”.

Questionada se poderia haver críticas pelo fato de Juazeiro ser administrada por uma mulher, pela primeira vez na história, a resposta é a de que “isso é tudo que tenho para dizer sobre o assunto”. 

A estátua foi inaugurada na gestão anterior, de Paulo Bomfim, homenageando o atleta que teve infância pobre em Juazeiro. Para o ex-prefeito, “a estátua tem que permanecer. Não tenho problema nenhum com isso”. Ele alega que, na época da homenagem, Daniel Alves não era acusado de nenhum crime.

Com as acusações, Bomfim foi questionado na cidade sobre a retirada da estátua. “Eu fiz a homenagem a uma pessoa de bem, humilde, que levou o nome de Juazeiro para o mundo. Se a atual administração achar que deve retirar, que faça. Eu não sou mais prefeito”.

A condenação de Daniel Alves não o deixa “nem alegre, nem triste”. Ele é amigo da família do ex-atleta, que teria “levado o nome de Juazeiro para o mundo de forma muito positiva”.

A reportagem conversou com vereadores como Mitu do Sindicato e Anderson da Iluminação. Segundo eles, não houve discussão na Câmara em relação à retirada da estátua.

Estátua foi vandalizada duas vezes

Daniel Alves estava preso há oito meses na Espanha, acusado de crime sexual, quando sua estátua amanheceu vandalizada, no feriado de 7 de setembro de 2023. Um saco plástico de lixo preto, preso com fita adesiva, envolvia a parte superior do corpo, inclusive a cabeça. A mesma ação havia acontecido em 8 de março do ano passado, Dia Internacional da Mulher.

Não houve investigação para descobrir quem vandalizou o monumento ou se havia relação com a acusação contra Daniel Alves. Segundo o ex-prefeito Paulo Bomfim, foi “uma brincadeira de mau gosto, ainda não havia condenação”.

A estátua está próxima de outra, que homenageia o músico João Gilberto, juazeirense. Daniel Alves está representado em tamanho natural, com a bola no pé e o uniforme da seleção brasileira. A homenagem em bronze custou R$ 150 mil.

Estátua foi coberta em duas datas comemorativas no ano passado. Não houve investigação sobre o vandalismo
Estátua foi coberta em duas datas comemorativas no ano passado. Não houve investigação sobre o vandalismo
Foto: Portal Preto no Branco

Nomes de criminosos são retirados de ruas

“A minha opinião como mulher, como feminista, é contrária à permanência da estátua do Daniel Alves. Como jogador, ele tem uma história, com homenagem justa, mas as mulheres precisam se manifestar, porque a gente não aceita”.

A declaração é de Maria Quitéria Lima, presidente da União Brasileira das Mulheres em Juazeiro, organização que atua há 16 anos na cidade. Seu nome homenageia a primeira mulher a integrar o Exército, uma heroína baiana e da Independência.

Maria Quitéria Lima, presidente da União Brasileira das Mulheres, promete lutar pela retirada da estátua de Daniel Alves de Juazeiro
Maria Quitéria Lima, presidente da União Brasileira das Mulheres, promete lutar pela retirada da estátua de Daniel Alves de Juazeiro
Foto: Reprodução

A ativista lembra que, atualmente, nomes de criminosos, torturadores e outras personalidades antes laureadas, estão sendo retiradas de ruas, praças. “A sociedade não permite mais”, diz Maria Quitéria Lima.

Mulheres vão lutar pela retirada da estátua

Ela e suas parceiras prometem acionar o Conselho da Mulher para reivindicar a retirada da estátua. “Ela não nos representa, não nos faz feliz. Eu não sei se algum homem consegue imaginar o quanto o crime de estupro nos traz de tristeza, nos destrói, mexe na nossa intimidade, na nossa honra, no nosso direito de dizer sim ou não”, diz a ativista.

Moradora de Juazeiro, Érika Ribeiro, poeta e professora de Língua Portuguesa em escola pública, está indignada com a situação. Com três livros publicados sobre a poética feminina do semiárido, premiada, ela diz que a permanência da estátua é uma “explícita afronta não só às mulheres, mas à toda sociedade”. 

Segundo ela, “manter a estátua de um indivíduo condenado por crime sexual confirmaria a misoginia que, infelizmente, impera em nossa sociedade, mais ainda, seria uma declaração de apoio à conduta do agressor”

Fonte: Marcos Zibordi Colunista do Visão do Corre
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