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Vacina contra herpes-zóster pode ajudar a prevenir demência, aponta estudo

Pesquisas recentes associam a vacina contra o herpes-zóster a um menor risco de demência; entenda o que os estudos descobriram e por que os cientistas ainda pedem cautela

20 jul 2026 - 18h07
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A vacina contra o herpes-zóster já é conhecida por prevenir uma doença que pode causar bolhas dolorosas e uma complicação bastante incômoda: a neuralgia pós-herpética, caracterizada por dores persistentes mesmo após o desaparecimento das lesões. Agora, ela também tem despertado o interesse dos cientistas por outro possível benefício: a proteção da saúde cerebral.

Vacina contra herpes
Vacina contra herpes
Foto: zóster pode proteger a memória? Estudos apontam possível associação com menor risco de demência - Reprodução: Canva/Bianca Constantinescu's Images / Bons Fluidos

Pesquisas recentes sugerem que pessoas vacinadas podem apresentar um risco menor de desenvolver demência ao longo dos anos. Embora os resultados ainda não comprovem uma relação de causa e efeito, eles reforçam uma hipótese cada vez mais estudada: a de que controlar infecções virais pode contribuir para um envelhecimento mais saudável do cérebro.

O que as pesquisas descobriram?

Um dos estudos mais robustos sobre o tema foi publicado na revista científica Nature. Os pesquisadores aproveitaram uma situação inusitada criada pelo programa de vacinação do País de Gales. Em 2013, apenas pessoas nascidas a partir de uma determinada data passaram a ter direito à vacina contra o herpes-zóster, permitindo comparar grupos muito semelhantes separados apenas pelo dia de nascimento.

Ao acompanhar mais de 282 mil adultos sem diagnóstico prévio de demência durante sete anos, os cientistas observaram que a vacinação esteve associada a uma redução de aproximadamente 20% no risco de desenvolver a doença. O efeito foi ainda mais evidente entre as mulheres.

Os resultados ganharam força quando pesquisas semelhantes realizadas na Austrália chegaram a conclusões parecidas. Além disso, estudos mais recentes envolvendo a vacina recombinante contra herpes-zóster também identificaram uma associação entre a imunização e um menor número de diagnósticos de demência.

Outra pesquisa, publicada no Annals of Internal Medicine, analisou dados de mais de 500 mil idosos nos Estados Unidos e encontrou uma redução de 24% no risco de diagnóstico de demência entre aqueles que haviam recebido pelo menos uma dose da vacina recombinante.

Como uma vacina pode influenciar a saúde do cérebro?

Ainda não existe uma resposta definitiva, mas os pesquisadores trabalham com algumas hipóteses. O herpes-zóster é provocado pela reativação do vírus da catapora (varicela-zóster), que permanece "adormecido" no organismo por décadas após a infecção inicial. Quando esse vírus volta a se multiplicar, pode desencadear processos inflamatórios que afetam não apenas os nervos, mas também diferentes sistemas do corpo.

Uma das possibilidades é que a vacina reduza essas reativações - inclusive as que acontecem sem sintomas aparentes - diminuindo episódios repetidos de inflamação, um dos fatores associados ao envelhecimento cerebral.

Outra hipótese é que a imunização promova uma resposta mais equilibrada do sistema imunológico ao longo da vida, contribuindo indiretamente para proteger o cérebro.

O que isso significa na prática?

Apesar dos resultados promissores, os especialistas ressaltam que ainda não é possível afirmar que a vacina previna o Alzheimer ou outras formas de demência. Isso acontece porque os estudos disponíveis são observacionais. Em outras palavras, eles mostram que pessoas vacinadas apresentaram menor risco de desenvolver demência. Mas não conseguem provar que a vacina foi a responsável direta por esse efeito.

Além disso, fatores como acesso aos serviços de saúde, estilo de vida e hábitos preventivos também podem influenciar os resultados, embora os pesquisadores tenham adotado métodos estatísticos para reduzir esse tipo de interferência.

A vacinação continua importante

Mesmo sem uma indicação específica para prevenir demência, a vacina contra o herpes-zóster já oferece benefícios bem estabelecidos. Ela reduz significativamente o risco de desenvolver a doença e suas complicações, principalmente entre pessoas com mais de 50 anos, grupo em que o vírus costuma reaparecer com maior frequência. Os novos estudos apenas ampliam o interesse da comunidade científica em compreender como infecções, inflamação e envelhecimento cerebral estão relacionados.

Um novo olhar sobre a prevenção

Nos últimos anos, a ciência tem mostrado que a saúde do cérebro depende de muito mais do que exercícios de memória. Controle da pressão arterial, prática de atividade física, alimentação equilibrada, sono de qualidade, interação social e vacinação fazem parte de um conjunto de fatores que contribuem para um envelhecimento mais saudável.

Se as pesquisas continuarem apontando na mesma direção, a vacina contra o herpes-zóster poderá, no futuro, integrar também as estratégias de prevenção do declínio cognitivo. Até lá, ela continua sendo uma importante aliada para evitar uma doença dolorosa - e, quem sabe, oferecer um benefício extra para a memória.

Bons Fluidos
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