Turismo na Coréia do Norte cultua líder comunista
Na Coreia do Norte, conhecida por ser uma das nações mais fechadas do mundo, o culto a Kim Il-Sung, ditador que liderou o país por 46 anos, desde sua criação, toma proporções de religião. Até a constituição norte-coreana dá uma pista: Kim - que morreu em 1994 - é declarado presidente eterno.
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A imagem do governante comunista está mesmo eternizada pelas ruas da capital Pyongyang. Monumentos dedicados a marcos de sua vida e história política se espalham por toda a cidade, e são impressionantes tanto pelo tamanho, quanto pelo nível de detalhamento e simbolismos.
A opulenta estátua de bronze do líder é uma parada obrigatória para quem visita a cidade - e obrigatória aqui está em sentido literal, já que só é possível visitar o país com guias oficiais e percorrendo rotas pré-estabelecidas. Sobre um monte, o monumento de traços bastante realistas estende seu braço sobre Pyongyang, como que exortando o povo.
Ali, os turistas deixam flores e fazem um momento de reflexão em nome do Grande Líder. O detalhe é que essa homenagem não é opcional - todos os visitantes precisam fazê-la, sob olhos atentos de seus guias. Rebelar-se pode resultar não só em deportação, como na punição dos acompanhantes designados pelo governo.
Ao lado da estátua, outros monumentos gigantescos evocam o que dentro do país se divulga como a vitória do presidente e do comunismo norte-coreano. Grandes bandeiras são ladeadas por soldados e proletários, desenhados em posição de comemoração.
As evocações não param por aí: no mesmo local, há ainda estátuas homenageando a solidariedade entre os partidos comunistas e outras representando os símbolos do regime local - ao martelo e à foice, a Coreia do Norte adiciona um pincel, colocando os intelectuais para completar uma tríade ao lado de operários e camponeses. Não haverá muito tempo para se admirar a riqueza do trabalho dos escultores, pois logo o guia apressará o grupo para uma nova atração.
E essa atração será o Arco do Triunfo. Isso mesmo, há uma versão maior do famoso símbolo de Paris na capital da Coreia do Norte. O triunfo representado aqui seria a vitória do país sobre os japoneses, que ocuparam a península coreana até o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Nada se menciona sobre a ajuda dos Aliados nessa batalha, e nem adianta perguntar a seu guia.
Quem considera esse arco megalomaníaco vai mudar de idéia no próximo ponto do tour. A Torre da Ideia Juche é a principal atração da cidade. Com 170 metros de altura e uma grande chama em seu topo, ela está localizada à beira do rio Taedong.
Subi-la oferece um belo visual da capital reconstruída com avenidas largas e prédios de concreto suntuosos. A torre foi erguida para comemorar o 70º aniversário de Kim Il-sung e, por isso, sua construção utilizou exatamente 25.550 blocos de granito - um para cada dia de vida do ditador até aquela data.