'The Times' questiona cinco destinos clássicos do turismo mundial
Stonehenge, Petra, o Coliseu, Machu Picchu e Angkor: segundo a versão online do diário britânico The Times, estes destinos turísticos não merecem a fama que têm. Polêmico, o site lista os cinco destinos turísticos mais superestimados do mundo - ou seja, aqueles em que claramente a fama supera o prestígio, de acordo com o livro The Road Less Travelled, de Bill Bryson.
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Stonehenge - Inglaterra
Stonehenge, na Inglaterra é um círculo de pedras que remonta à Idade do Bronze e que (diz a fama) espanta o visitante. Cenário de rituais pagãos vinculados com os solstícios de verão e do inverno, o sítio povoa a imaginação mística de muitos.
Mas, diz o autor do livro, na visita não se pode tocar as pedras nem caminhar entre as construções. Ou seja: paga-se apenas para olhar o monumento, sem proximidade, sem abrigo contra o tempo duro que costuma castigar a região, sem museu. Uma alternativa proposta: o menos famoso (e bem mais acessível) círculo de pedras de Amesbury, a oeste de Londres (1h30 de viagem).
Petra - Jordânia
Entre o vale do Mar Morto ao Golfo de Aqaba está o enclave arqueológico da cidade de Petra. As construções remontam ao século III a.C., construídas pelos nabateus. Quem visita Petra, diz a fama, encontrará, num vale escondido, um sítio histórico único e impressionante: tumbas, templos, depósitos e casas talhadas na pedra vermelha do local.
Mas a realidade é menos charmosa. O sítio é passo obrigado dos visitantes do Oriente Médio, e com isso virou um dos points mais turísticos da região, com o resultado de um vilarejo que ameaça ser maior do que a própria cidade antiga. Muito mais ricos e com um ambiente menos tumultuado, há os monumentos de Lalibela, na Etiópia, também talhados na pedra. O autor afirma que a beleza artística supera longamente a de Petra.
O Coliseu - Roma
Cole Porter cunhou a frase: "You're the top! You're the Colosseum" ("Você é o máximo! Você é o Coliseu"). Cenário de grandes filmes épicos (Gladiador, por exemplo), o Coliseu ocupa um lugar especial no imaginário dos turistas do mundo inteiro. Mesmo sendo uma ruína no meio de uma cidade populosa, é capaz de tirar o fôlego pelas suas dimensões magníficas e pela história que ecoa nas suas paredes de pedra - ao longo do tempo, serviu de tudo: como fortaleza, moradia, e até mesmo templo cristão. No entanto, aponta o Times, as visitas são breves, e as filas aglomeradas e longas, e de quebra são frequentes os casos em que o turista acaba com a sua carteira furtada.
Do outro lado do Mar Adriático, na Croácia, está a arena de Pula, bem mais preservada e sem barulho de turistas e de carros.
Machu Picchu - Peru
Pouco é o que se sabe sobre Machu Picchu, a cidade encravada no alto dos Andes e que a selva preservara do conquistador espanhol quando houve a caída do império Inca, o Tahuantisuyu. Mas a fama que leva o lugar fala de espiritualidade e de construções grandiosas, da perfeição do trabalho na pedra e dos mistérios de um provável santuário, talvez observatório astronômico.
A realidade, para o autor do livro, é que o turismo acabou com a mágica, e que a chegada é cansativa e decepcionante. Ele propõe, para quem quer conhecer ruínas incaicas bem preservadas, ir até a Bolívia, na Ilha do Sol, ponto de nascimento desta cultura.
Angkor - Camboja
O sítio arqueológico de Angkor é um dos maiores tesouros budistas já conhecidos do sudeste asiático, e dos que são capazes de deixar o mais viajado de queixo caído. É uma dúzia de templos espetaculares, próximos à cidade de Siem Reap, e Angkor Wat é o melhor conservado. Isso diz a lenda. Mas as muitas filas são intermináveis, e o excesso de turistas e vendedores faz impossível apreciar a dimensão mística do local. Borobudur, na Indonésia, é uma das maravilhas da antiguidade budista que ainda não foi descoberta (nem estragada) pelo turismo de massa.
Agência Andrés Bruzzone Comunicação