Salar de Uyuni é o principal atrativo turístico da Bolívia
No país que vai da Amazônia aos Andes, o atrativo turístico mais famoso é um imenso deserto de sal: o Salar de Uyuni, onde a Terra parece tocar o céu, [...]
No país que vai da Amazônia aos Andes, o atrativo turístico mais famoso é um imenso deserto de sal: o Salar de Uyuni, onde a Terra parece tocar o céu, no deserto de sal mais alto do mundo.
A 20 km da cidade homônima, na província de Potosí, essa área de 12 mil km² fica a mais de 3.600 metros de altura e é o único ponto natural brilhante que pode ser visto do espaço.
Diferente do que se imagina, a região não foi um oceano, mas o que sobrou das águas do Minchin, um lago com mais de 50 mil km² que teve suas águas salgadas evaporadas, há cerca de 10 mil anos, e mantém vivo esse cenário branco.
Assim como a Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, o Salar de Uyuni é o principal atrativo turístico da Bolívia, entre os visitantes estrangeiros.
Salar de Uyuni
Para quem chega pela primeira vez (ou pela segunda ou pela terceira), o Salar do Uyuni parece ilusão de ótica.
De dezembro a março, as chuvas formam uma capa fina de água sobre o chão que reflete sobre o salar. Os visitantes que desembarcam na Ilha Incahuasi, a mais visitada da região, garantem as tradicionais fotos com efeitos óticos de diferentes perspectivas.
As sensações são mesmo extremas, antes mesmo de chegar ao salar, no Cementerio de Trenes, a 1 km do centro da cidade. É ali que carcaças de vagões da época em que empresas francesas e inglesas apostaram na região, no final do século 19, servem de cenário para ensaios fotográficos.
Mas em uma região em que o sal é o principal atrativo, as sucatas ficam logo para trás e os carros 4×4 começam a riscar a imensidão do Uyuni, em travessias deserto adentro que podem durar até 4 dias.
"O interior do salar tem várias ilhas com cactus milenários gigantes. O contraste do cenário branco com essas ilhas que, além de terem rochas com textura de corais, dão a sensação de estar em um mar de leite", destaca Delia Bustillos, diretora do curso de Hoteleria e Turismo da Unifranz El Alto.
Na Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, as cores assumem novas possibilidades.
São 885 km Bolívia adentro por cenários como lagos multicoloridos, salares em formação, desertos e restos arqueológicos.
Um dos destaques são as lagoas policromáticas de água salgada, em áreas de até 4.300 metros de altitude, na província de Sud Lípez, em Potosí, como a Laguna Colorada, cujos tons são garantidos pelas algas e pela cor ocre da terra, em uma área de 60 km².
O tom avermelhado ao longo de toda a sua extensão disputa com o rosa dos flamingos e o branco forte das ilhas de bórax.
E das luzes e cores daquele impressionismo natural, o visitante passa para o surrealismo de Dalí.
O deserto que recebe o nome do pintor espanhol se deve à suposta passagem do artista pela região, cujas paisagens teriam servido de inspiração.
Surrealismo ou não, a disposição das rochas vulcânicas pela areia fina não deixa de lembrar suas obras.
No mesmo dia da visita, pela manhã bem cedo, é possível se banhar nas águas termais de gêiseres, a 4.500 metros de altura, onde as cores se confundem com a fumaça quente subindo o céu ainda escuro.
As formações rochosas e os poços vulcânicos encontrados nesse trecho do roteiro levam o visitante à era mesozoica (e a outras dimensões).
"O nome do Salar é o seu maior potencial. Turistas de outras partes do mundo identificam a Bolívia com o Salar e esse é um dos efeitos positivos de como o atrativo já está posicionado no mundo", analisa Javier Rivera Segovia, da Unifranz Santa Cruz.