Superdotação ou TDAH? Neurologista aponta fatos em comum que geram confusão
Superdotação pode parecer TDAH? Os sintomas se confundem, mas as causas são bem diferentes. Entenda o que muda o diagnóstico.
Você conhece alguém extremamente inteligente que faz perguntas o tempo todo?
Alguém que mergulha profundamente nos assuntos que ama e, mesmo assim, já foi chamado de desatento ou desorganizado?
Quando o excesso de curiosidade é confundido com desatenção, podemos não estar falando sobre TDAH, mas sim sobre superdotação.
Superdotação pode parecer TDAH?
A superdotação pode compartilhar algumas características com transtornos do desenvolvimento, como o TDAH: interesses muito intensos, hiperfoco quando algo desperta a curiosidade, muitos questionamentos.
E uma sensação de estar sempre um passo à frente em algumas áreas, mas não em outras.
Esse desenvolvimento desigual é chamado de assincronia.
É quando uma pessoa pode apresentar um raciocínio muito avançado para a idade e, ao mesmo tempo, ter dificuldades para lidar com frustrações, com a rotina ou com demandas simples do dia a dia.
Mas existe um ponto fundamental aqui: parecer não é ser.
A grande questão não é quantas características existem em comum, mas por que elas existem.
No TDAH, o problema central envolve alterações de funções executivas: é como se o cérebro tivesse dificuldade para filtrar o mundo.
Já na superdotação, essas manifestações podem acontecer como consequência de um desenvolvimento cognitivo muito acima da média: é como se o cérebro tivesse dificuldade para experimentar o mundo.
E tem um detalhe importante aqui: a superdotação pode acontecer em conjunto com o TDAH. É o que chamamos de dupla excepcionalidade.
Por que o diagnóstico não pode ser um checklist
Tanto o excesso de curiosidade quanto o tédio podem ser confundidos com desatenção.
Nem toda desatenção é TDAH. E nem toda facilidade para aprender significa superdotação.
Mais do que isso, as duas condições podem estar presentes ao mesmo tempo, em uma mesma pessoa.
Quando diferentes características se parecem, o diagnóstico não pode ser feito pela soma de sintomas.
É preciso compreender individualmente a história, o contexto e o funcionamento daquele cérebro.
Um bom diagnóstico não serve apenas para dar um nome ao que acontece.
Ele orienta decisões que fazem diferença na vida de quem está sendo avaliado.
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