Trincar os dentes melhora o desempenho físico?
O hábito de apertar ou trincar os dentes durante a prática de exercícios físicos chama a atenção de profissionais da saúde. Muitas pessoas acreditam que essa ação aumenta a força, melhora o desempenho e ajuda a "dar aquele gás final" em treinos intensos. Entretanto, especialistas destacam que a relação entre o ato de ranger os […]
O hábito de apertar ou trincar os dentes durante a prática de exercícios físicos chama a atenção de profissionais da saúde. Muitas pessoas acreditam que essa ação aumenta a força, melhora o desempenho e ajuda a "dar aquele gás final" em treinos intensos. Entretanto, especialistas destacam que a relação entre o ato de ranger os dentes e a performance esportiva é mais complexa do que parece à primeira vista.
Em academias, quadras e pistas de corrida, é comum encontrar praticantes com o maxilar rígido em momentos de esforço. Alguns atletas relatam que sentem mais estabilidade corporal quando travam a mandíbula. Outros dizem que o gesto surge de forma automática, principalmente em provas decisivas. Ainda assim, profissionais da odontologia esportiva e da medicina do esporte alertam para os possíveis riscos desse comportamento frequente.
Trincar os dentes melhora mesmo o desempenho físico?
Pesquisadores investigam há anos a ligação entre a mordida e o rendimento muscular. Estudos em universidades europeias indicam que o ajuste da mandíbula pode influenciar o equilíbrio e a postura. Dessa forma, a posição dos dentes altera a forma como a força passa pela coluna e pelos músculos do pescoço. Em determinadas situações, essa estabilidade extra ajuda na execução de movimentos rápidos e coordenados.
Materiais publicados em revistas internacionais de medicina esportiva apontam outro ponto importante. Em exercícios explosivos, como sprints e saltos, a ativação simultânea da musculatura da face e do tronco ocorre de maneira natural. O ato de apertar a mordida acompanha esse processo. Assim, o corpo cria uma espécie de "cinto interno" que sustenta o tronco durante o esforço.
A odontologia esportiva passou a estudar esse fenômeno com mais atenção. Reportagem da revista Sports Health destacou declarações de profissionais que atendem atletas olímpicos. Segundo esses especialistas, a oclusão adequada, ou seja, o encaixe correto dos dentes, influencia diretamente o controle motor. Portanto, muitos programas de alto rendimento já incluem avaliação da mordida na rotina de acompanhamento.
O que dizem os especialistas sobre a prática de apertar os dentes?
Profissionais que lidam com lesões de mandíbula observam um detalhe relevante. O apertamento intenso e repetitivo durante treinos aumenta a sobrecarga sobre dentes, articulações e músculos faciais. Em entrevista à revista Journal of Oral Rehabilitation, o cirurgião-dentista esportivo Dr. Steven D. B. Sims explicou que o ajuste da mordida pode contribuir para o desempenho, mas requer planejamento. Ele ressaltou que o uso de dispositivos na boca deve seguir avaliação clínica detalhada e acompanhamento constante.
Já reportagens na British Journal of Sports Medicine destacam a fala de especialistas em medicina esportiva. Eles reforçam que a busca por ganho de performance não pode ignorar o risco de dor crônica e desgaste dentário. Assim, o recomendado envolve equilíbrio entre benefício funcional e proteção das estruturas da boca. Profissionais lembram também que o bruxismo noturno costuma se agravar quando a pessoa já tem o hábito de travar a mandíbula durante o dia.
Dentistas que atuam com boxe, artes marciais e esportes de contato trazem um exemplo prático. Eles explicam que o protetor bucal não serve apenas para evitar fraturas. Em muitas modalidades, o acessório ajuda a distribuir melhor a força na arcada. Dessa forma, o atleta mantém certa estabilidade da mordida, sem exigir pressão exagerada da musculatura. Portanto, o ajuste adequado do protetor faz diferença na segurança do movimento.
Como trincar os dentes afeta a saúde bucal e a postura?
O ato de apertar a mandíbula de forma constante provoca uma série de efeitos físicos. Em primeiro lugar, aumenta-se o desgaste do esmalte dentário. Como resultado, surgem microfraturas, sensibilidade ao frio e ao calor e, em alguns casos, dor durante a mastigação. Além disso, a tensão acumulada na região do rosto costuma irradiar para cabeça, pescoço e ombros.
Profissionais observam ainda outro aspecto. A articulação temporomandibular, conhecida como ATM, sofre quando o apertamento se torna hábito. Com o tempo, o praticante pode notar estalos ao abrir a boca, dificuldade para mastigar e sensação de travamento. Em muitos consultórios, pacientes relatam dores de cabeça frequentes associadas a períodos de treino intenso com grande tensão na mandíbula.
O impacto não se limita à boca. Estudos citados em revistas de fisioterapia mostram que a posição da mandíbula influencia o alinhamento da coluna cervical. Quando a pessoa mantém os dentes cerrados por longos períodos, os músculos do pescoço trabalham em tensão contínua. Dessa maneira, aumenta o risco de contraturas e desequilíbrios posturais. Em esportes que exigem precisão de movimento, esse quadro interfere na técnica e reduz a eficiência.
Como treinar com segurança sem prejudicar os dentes?
Profissionais indicam alguns cuidados simples para quem pratica atividades físicas e quer proteger a saúde bucal. Em primeiro lugar, recomenda-se atenção à respiração durante o esforço. Quando a pessoa controla a entrada de ar e mantém o foco no padrão respiratório, a tendência de travar a mandíbula diminui. Além disso, pausas curtas entre séries ajudam a relaxar a musculatura do rosto.
Especialistas também sugerem avaliação odontológica para atletas recreativos e profissionais. O exame identifica desgastes, desalinhamentos e sinais iniciais de bruxismo. Em alguns casos, o dentista propõe o uso de dispositivos específicos, como placas estabilizadoras para treino ou sono. Esses recursos reduzem a força direta sobre os dentes e, ao mesmo tempo, preservam o alinhamento da mordida.
Para quem pratica esportes de impacto, o uso de protetor bucal adaptado ganha destaque. Modelos sob medida seguem o formato da arcada e distribuem melhor a pressão. Dessa forma, o praticante mantém a sensação de firmeza, mas com menor risco de lesão. Em paralelo, fisioterapeutas podem orientar exercícios de relaxamento para musculatura cervical e facial.
- Observar se há dor no maxilar após treinos intensos.
- Evitar o hábito de manter a mandíbula travada em repouso.
- Buscar avaliação profissional diante de estalos ou limitações para abrir a boca.
- Considerar ajuste da mordida e do protetor bucal em esportes de contato.
O debate atual aponta para um ponto central. O alinhamento da mandíbula e a forma de morder influenciam a postura e a força em vários movimentos. No entanto, o ato de trincar os dentes de forma voluntária e exagerada não aparece como estratégia segura de treinamento. Assim, a recomendação predominante entre especialistas consiste em cuidar da saúde bucal, ajustar a mordida quando necessário e permitir que o corpo utilize esse mecanismo de forma natural e controlada, sempre com acompanhamento profissional.