Tadalafila pode ser atestado em exame antidoping como mostra nova série da Globo?
Medicamento para disfunção erétil deve ser usado com recomendação médica
Jogada de Risco, nova série do Globoplay, tem dado o que falar nas redes sociais por trazer à tona assuntos tidos como 'tabu' no dia a dia. Cenas de nudez frontal, consumo de drogas e festas extravagantes estão entre os destaques.
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Logo no início do primeiro episódio, o personagem Luan (Juan Paiva) se dirige a um quarto com a garota de programa Daniele (Bruna Griphao), onde ela coloca uma pílula na boca dele. Mais tarde, é constatado que a pílula em questão é Tadalafila, remédio usado para disfunção erétil.
No dia seguinte, para tentar driblar antidoping, Luan recorre a Geraldo (Breno Ferreira) para fraudar o exame antidoping. O empresário Maurício (Cauã Reymond) fica tenso com o risco de seu atleta ser flagrado por tomar o remédio. Afinal, a Tadalafila pode ser detectada em um exame antidoping?
Gustavo Duque, médico cardiologista do hospital Samaritano Barra, da Rede Américas, explica ao Terra que isso não é possível. A Tadalafila não está na lista atualizada da agência mundial antidoping (WADA), portanto, sua detecção em uma amostra de urina ou sangue não constitui, por si só, uma violação antidoping.
"A lista anual de substâncias proibidas da WADA abrange esteroides anabolizantes, hormônios peptídicos, fatores de crescimento, β-agonistas, moduladores hormonais e metabólicos, estimulantes, narcóticos, glicocorticoides e β-bloqueadores — mas não inibidores da fosfodiesterase tipo 5 como a Tadalafila", afirma.
O especialista ressalta que a WADA já monitorou e avaliou os inibidores tipo 5, mas concluiu que não há evidências suficientes de ganho injusto de rendimento em condições normais. Portanto, o uso por atletas profissionalmente não gera punição por doping.
"Não existe evidência clínica robusta de que a Tadalafila melhore força, hipertrofia, velocidade ou desempenho aeróbico em atletas saudáveis ao nível do mar. Sua fama no meio esportivo parece decorrer mais do mecanismo de vasodilatação, da sensação subjetiva de maior 'pump' muscular e de extrapolações de estudos realizados em doenças cardiopulmonares ou em ambientes de baixa oxigenação", diz o médico.
Um exame antidoping é dividido em várias etapas, feitas para serem resistentes à manipulações e fraudes. A coleta da amostra é supervisionada por um oficial de controle de dopagem, o atleta fornece a amostra como a urina, por exemplo, sob observação.
"Ela é imediatamente dividida em amostra A e amostra B, ambas lacradas e colocadas em recipientes com códigos de barra e lacres de segurança na presença do atleta. Se a amostra A apresentar resultado positivo, o atleta tem o direito de solicitar uma análise independente da amostra B, o que serve como salvaguarda contra erros laboratoriais. Os laboratórios credenciados pela WADA usam as técnicas mais modernas de análise, capaz de detectar substâncias em concentrações de nanogramas por mililitro", destaca.
Entre os principais riscos do uso de Tadalafila sem indicação médica está a queda de pressão acentuada, principalmente dependendo da interação com outros medicamentos que a pessoa use. Além disso podem ocorrer danos musculares induzidos pela atividade física, além de priapismo, perda auditiva súbita e raramente perda de visão por uma neuropatia do nervo ótico.
"Em resumo, a Tadalafila é um medicamento que tem que ser prescrito por médico e tem indicações bem definidas. Seu uso sem avaliação medica tem riscos reais principalmente para o coração e músculos e esses riscos aumentam em treinamento físico intenso e polifarmácia, coisas comuns em atletas", finaliza.
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