Silencioso e cada vez mais comum: câncer colorretal preocupa especialistas
Tumor que afeta intestino grosso e reto já é o segundo mais frequente no Brasil e cresce entre adultos jovens
O câncer colorretal já ocupa a segunda posição entre os tumores mais incidentes em homens e mulheres no país, desconsiderando o câncer de pele não melanoma.
Dados recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) acenderam um sinal vermelho entre especialistas.
Para o triênio 2026-2028, a estimativa é de cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil. Dentro desse cenário, os tumores de cólon e reto aparecem entre os que mais preocupam.
O motivo vai além do volume de diagnósticos. O perfil dos pacientes também mudou.
Casos aumentam entre jovens
Tradicionalmente associado a pessoas acima dos 60 anos, o câncer colorretal tem sido cada vez mais diagnosticado em adultos de 30 e 40 anos.
Segundo o oncologista Alexandre Jácome, líder nacional de tumores gastrointestinais da Oncoclínicas, o risco dobrou no intestino grosso e quadruplicou no reto quando comparado à década de 1950 entre pessoas jovens.
Estudos internacionais apontam aumento de 79% nos diagnósticos de câncer em adultos com menos de 50 anos nas últimas três décadas. O colorretal lidera esse crescimento.
Especialistas chamam o fenômeno de "rejuvenescimento" da doença.
Diagnóstico tardio reduz chances de cura
Um dos principais desafios no Brasil é o diagnóstico tardio.
Mais de 80% dos pacientes descobrem a doença em estágios avançados, quando o tumor já pode ter causado obstrução ou perfuração intestinal.
O câncer colorretal pode ser silencioso no início. Quando surgem, os sintomas costumam ser confundidos com problemas menos graves.
Sinais de alerta
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Sangue nas fezes.
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Fezes muito escuras.
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Mudança persistente no hábito intestinal.
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Diarreia ou constipação prolongadas.
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Sensação de evacuação incompleta.
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Dor abdominal frequente.
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Cansaço sem explicação.
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Perda de peso involuntária.
Quando identificado precocemente, as taxas de sobrevida podem ultrapassar 90%.
Em estágios avançados, esse número pode cair para menos de 15%.
Por isso, qualquer sintoma persistente deve ser investigado.
Fatores de risco estão ligados ao estilo de vida
Grande parte dos casos pode ser evitada.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 40% dos cânceres no mundo estão relacionados a fatores evitáveis. O câncer colorretal está entre os que mais poderiam ser prevenidos.
Principais fatores de risco
Alimentação inadequada
Excesso de carne vermelha, embutidos e ultraprocessados. Baixo consumo de fibras, frutas e vegetais.
Obesidade
O excesso de peso favorece inflamações crônicas e alterações metabólicas.
Sedentarismo
A falta de atividade física aumenta o risco.
Tabagismo e álcool
São fatores de risco estabelecidos para diversos tipos de câncer.
A combinação de dieta pobre em alimentos naturais, aumento da obesidade e rotina sedentária ajuda a explicar o avanço da doença no país.
Colonoscopia é a principal aliada na prevenção
A colonoscopia é considerada o exame padrão-ouro para detectar o câncer colorretal.
O procedimento permite visualizar o intestino e retirar pólipos antes que se transformem em tumor.
A recomendação geral é iniciar o rastreamento entre 45 e 50 anos.
Pessoas com histórico familiar, pólipos prévios ou doenças inflamatórias intestinais, como retocolite ulcerativa e doença de Crohn, devem começar antes.
Testes de sangue oculto nas fezes também podem ser utilizados como triagem inicial.
O problema é que a cobertura de rastreamento ainda é baixa no Brasil, especialmente fora dos grandes centros.
Desigualdade regional agrava cenário
As regiões Sul e Sudeste concentram maior acesso a exames e centros especializados.
Já Norte e Nordeste enfrentam dificuldades estruturais e demora no acesso à colonoscopia.
Essa desigualdade resulta em diagnósticos mais tardios e menor chance de cura.
Tratamentos evoluíram nos últimos anos
Apesar do cenário preocupante, os avanços terapêuticos trazem esperança.
Além de cirurgia, quimioterapia e radioterapia, hoje existem:
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Imunoterapia.
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Terapias-alvo.
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Análise genômica do tumor para personalizar o tratamento.
Quando diagnosticado cedo e tratado adequadamente, o câncer colorretal tem alta taxa de cura.
Prevenção ainda é a melhor estratégia
Especialistas reforçam que pequenas mudanças fazem diferença:
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Aumentar o consumo de fibras.
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Reduzir carne vermelha e processada.
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Praticar atividade física regularmente.
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Manter peso saudável.
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Evitar cigarro.
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Moderar o consumo de álcool.
Para quem tem 45 anos ou mais, ou histórico familiar da doença, procurar orientação médica para avaliar o rastreamento é fundamental.
O câncer colorretal não precisa ser uma sentença.
Com prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento, é possível reduzir mortes e salvar milhares de vidas todos os anos.
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