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Cientistas mapeiam nervos do clitóris pela 1ª vez; saiba o que foi descoberto

Mapeamento pode ampliar o entendimento sobre o prazer feminino e orientar procedimentos médicos e cirúrgicos

31 mar 2026 - 18h49
(atualizado às 19h37)
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Cientistas mapeiam nervos do clitóris pela 1ª vez
Cientistas mapeiam nervos do clitóris pela 1ª vez
Foto: Reprodução/biorxiv

Pesquisadores conseguiram mapear pela primeira vez, em 3D, a rede de nervos do clitóris, em um estudo divulgado no repositório bioRxiv. Utilizando raios-X de alta energia, a equipe do Amsterdam University Medical Center escaneou pelves femininas e reconstruiu as estruturas em três dimensões, um avanço que ocorre três décadas após o mesmo tipo de mapeamento ter sido realizado no pênis.

O estudo busca esclarecer e aprofundar o conhecimento sobre a anatomia interna do clitóris, órgão responsável pelo prazer sexual feminino e considerado uma das partes menos estudadas do corpo humano. Para isso, os pesquisadores reconstruíram imagens em 3D de duas pelves femininas, doadas por meio de um programa de doação de corpos.

As imagens revelam, com um nível de detalhamento, cinco nervos complexos atravessando o clitóris, com ramificações que se espalham como galhos de uma árvore. Segundo os pesquisadores, a maior delas atingia aproximadamente 0,7 mm de largura.

O mapeamento sugere que algumas informações tradicionais de anatomia podem estar incompletas ou equivocadas. Estudos anteriores indicavam que o grande nervo dorsal do clitóris diminuía à medida que se aproximava da glande, mas os novos exames mostram que ele permanece vigoroso até a extremidade.

Além disso, as ramificações se estendem para áreas além da porção externa mais conhecida do órgão. Os pesquisadores identificaram extensões que chegam ao monte do púbis, ao capuz do clitóris e a pregas da vulva, incluindo estruturas labiais.

O estudo reforça que a parte visível do clitóris representa apenas uma pequena fração do órgão: a glande, que é a porção externa mais sensível, corresponde a cerca de 10% do total.

Possíveis impactos em cirurgias e tratamentos

Especialistas consultados pelo jornal The Guardian apontam que o novo mapa nervoso pode ser crucial para reduzir danos em cirurgias pélvicas. Com um entendimento mais detalhado do trajeto dos nervos, médicos podem evitar cortes ou lesões que comprometam a função sexual.

Além disso, o mapeamento pode servir de guia em procedimentos de reconstrução após mutilação genital feminina. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 230 milhões de meninas e mulheres em 30 países da África, Oriente Médio e Ásia passaram por algum tipo de mutilação, prática que não traz benefícios à saúde e pode resultar em sangramentos graves, infecções e complicações no parto.

O estudo também indica relevância para outros tipos de cirurgia, incluindo operações para tratar câncer de vulva, cirurgias de redesignação de gênero e procedimentos estéticos genitais, como a labioplastia, que cresceu 70% entre 2015 e 2020, segundo a publicação britânica. 

Helen O’Connell, urologista que publicou um amplo estudo anatômico do clitóris em 1998, ressalta que o tema foi negligenciado por décadas. "Isso foi apagado intelectualmente pela comunidade médica e científica, presumivelmente alinhando atitudes a uma ignorância social."

Ju Young Lee, do Amsterdam University Medical Center, afirma que o estudo oferece algo nunca antes feito. "Este é o primeiro mapa 3D de todos os nervos dentro da glande do clitóris", declarou.

Georga Longhurst, chefe de ciências anatômicas da St George’s, da Universidade de Londres, elogia a nitidez das imagens. "Fiquei especialmente fascinada pelas imagens de alta resolução dentro da glande, a parte mais sensível do clitóris, já que esses ramos nervosos terminais são impossíveis de ver durante uma dissecção", afirmou ao jornal.

O’Connell também lembra que o orgasmo não se limita ao prazer, tendo impacto sobre a saúde geral. "Orgasmo é uma função do cérebro que leva à melhoria da saúde e do bem-estar, além de ter implicações positivas para as relações humanas e possivelmente para a fertilidade", acrescentou.

Fonte: Portal Terra
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