Papanicolau evoluiu: preventivo amplia chances de diagnóstico
Exame preventivo agora busca diretamente o HPV
Mesmo com acesso à vacina contra HPV e mais informação sobre autocuidado, especialista alerta para a queda na adesão aos exames ginecológicos de rotina
Com o avanço das campanhas sobre autocuidado e saúde feminina, muitos exames passaram a fazer parte da rotina de mulheres mais jovens. Ainda assim, o preventivo ginecológico segue cercado de dúvidas, medo e adiamento, mesmo sendo um dos principais aliados na prevenção do câncer do colo do útero.
Segundo a ginecologista Karoline Prado, o problema é que muitas mulheres só procuram atendimento quando já apresentam sintomas.
"O câncer do colo do útero pode evoluir silenciosamente por muitos anos. O preventivo permite identificar alterações antes que elas se tornem um câncer propriamente dito", explica.
O novo preventivo
Conhecido popularmente como Papanicolau, o exame passou por atualizações importantes nos últimos anos. Além da análise das células do colo do útero, os métodos mais modernos de rastreamento agora também conseguem identificar diretamente a presença do HPV, vírus relacionado à maioria dos casos de câncer cervical.
"O preventivo atual não procura apenas alterações celulares. Hoje conseguimos investigar também a presença do HPV, o que amplia muito a capacidade de prevenção e diagnóstico precoce quando comparado aos métodos antigos", destaca Karoline.
Mesmo mulheres vacinadas contra HPV devem manter acompanhamento ginecológico regular.
"A vacina representa um avanço enorme na prevenção, mas não elimina completamente o risco. O rastreamento continua sendo indispensável", afirma a especialista.
Além do preventivo, o check-up ginecológico também pode incluir outros exames de acordo com idade, histórico familiar, sintomas e fase da vida reprodutiva.
Entre os sinais que nunca devem ser ignorados estão:
- sangramento fora do período menstrual;
- dor pélvica persistente;
- corrimento com odor forte;
- dor durante a relação sexual;
- alterações menstruais importantes.
Apesar de rápido e simples, o exame ainda é evitado por muitas mulheres por vergonha, desconforto ou medo do resultado. Para a especialista, falar abertamente sobre prevenção é uma forma de reduzir barreiras e incentivar o cuidado contínuo.
"A prevenção ginecológica não deve acontecer apenas quando existe um problema. O acompanhamento regular é uma ferramenta de proteção da saúde feminina ao longo da vida", conclui.
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