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Shots para imunidade? Especialista alerta sobre desinformação e cuidados reais

Dra. Paula Pinhão desmistifica os maiores mitos sobre imunidade que circulam nas redes sociais e alerta que não existe fórmula milagrosa para blindar o organismo

7 jul 2026 - 18h10
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Resumo
Receitas de shots matinais com própolis, gengibre e limão prometem milagres para imunidade, mas carecem de base científica, alerta a infectologista Paula Pinhão. Suplementos e megadoses de vitaminas geram uma falsa sensação de proteção. Vacinas, alimentação equilibrada, sono adequado e manejo do estresse continuam sendo aliados reais para prevenir doenças. 🦠✨

Nunca foi tão fácil encontrar dicas para "fortalecer a imunidade". Bastam alguns segundos nas redes sociais para aparecerem vídeos ensinando receitas de shots matinais.

Veja os mitos da imunidade
Veja os mitos da imunidade
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

São suplementos que prometem "blindar" o organismo e megadoses de vitaminas.

Surgem misturas com alho, limão, gengibre e própolis. Há até protocolos que garantem impedir gripes, resfriados e outras infecções.

Embora muitos desses conteúdos acumulem milhões de visualizações, boa parte deles não encontra respaldo na ciência.

Além disso, podem criar uma perigosa falsa sensação de proteção. A médica infectologista Dra. Paula Pinhão explica mais sobre a saúde imunológica.

A ilusão das fórmulas milagrosas nas redes sociais

De acordo com a Dra. Paula Pinhão, um dos maiores equívocos é acreditar que existe um alimento, suplemento ou receita capaz de fortalecer rapidamente o sistema imunológico.

"O sistema imunológico não funciona como um interruptor que pode ser ligado por um shot ou por uma vitamina.

Ele depende de um conjunto de fatores biológicos extremamente complexos, influenciados pelos hábitos que cultivamos ao longo da vida.

É justamente essa complexidade que torna tão sedutoras as soluções simples, mas elas não existem", alerta.

A especialista explica que isso não significa que vitaminas, minerais ou determinados alimentos não sejam importantes. Pelo contrário, eles fazem parte do funcionamento normal do organismo.

Porém, não agem como um "escudo" contra vírus e bactérias quando consumidos isoladamente ou em excesso.

"Ter uma alimentação equilibrada é fundamental para que o organismo funcione adequadamente. O problema começa quando um alimento ou suplemento passa a ser vendido como se fosse capaz de substituir hábitos saudáveis ou até medidas comprovadamente eficazes, como a vacinação", complementa Paula.

O perigo da desinformação e o que funciona de verdade

Outro ponto que preocupa a infectologista é a velocidade com que informações sem evidências científicas são compartilhadas.

Muitas vezes, conteúdos produzidos por pessoas sem formação em saúde acabam sendo interpretados como recomendações médicas.

Isso incentiva a automedicação, o uso indiscriminado de suplementos e o abandono de estratégias realmente eficazes de prevenção.

"Existe uma tendência de acreditar que, se um conteúdo viralizou, ele deve ter algum fundamento. Mas ciência não se mede por número de curtidas.

O que determina se uma orientação é confiável são estudos de qualidade, revisões científicas e consenso entre especialistas", diz.

Abaixo a Dra. Paula compartilha os maiores mitos sobre imunidade que circulam nas redes sociais

Mitos

Shot de limão, gengibre e própolis fortalece a imunidade.

"Não existe evidência científica de que essas combinações sejam capazes de prevenir infecções ou "blindar" o organismo", explica a médica.

Quanto mais vitamina C eu tomar, mais protegido estarei.

"O excesso de vitamina C não aumenta a imunidade em pessoas saudáveis e, em alguns casos, pode até provocar efeitos adversos"

Se eu tomar suplementos diariamente, dificilmente ficarei doente.

"Suplementos não substituem alimentação equilibrada, sono adequado, atividade física e vacinação. Eles só devem ser utilizados quando há indicação médica", diz Paula.

Quem tem uma boa imunidade nunca pega gripe.

"Mesmo pessoas saudáveis podem contrair infecções. A diferença costuma estar na forma como o organismo responde à doença e na menor chance de desenvolver quadros graves".

Produtos "naturais" não oferecem riscos.

"Natural não é sinônimo de seguro. Plantas medicinais, extratos e suplementos também podem causar efeitos adversos e interagir com medicamentos".

Verdades

Dormir pouco realmente enfraquece a resposta imunológica.

"Privação de sono está associada a maior risco de infecções e pior resposta do organismo a agentes infecciosos"

Estresse crônico também interfere na imunidade.

"Altos níveis de cortisol por períodos prolongados podem comprometer o funcionamento adequado das células de defesa", explica Paula.

Vacinas continuam sendo a forma mais eficaz de preparar o organismo contra diversas doenças infecciosas.

"Elas "treinam" o sistema imunológico para reconhecer microrganismos antes que provoquem infecções graves".

Saúde em Dia
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