Mãe e filha morrem de chikungunya em intervalo de um mês em Alagoas
Mãe e filha morreram em um intervalo de apenas 34 dias após contraírem chikungunya em São Miguel dos Campos, no interior de Alagoas.
A chikungunya provocou uma tragédia familiar em São Miguel dos Campos, no interior de Alagoas. Mãe e filha morreram em um intervalo de apenas 34 dias após enfrentarem complicações relacionadas à doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. O caso chamou atenção de autoridades de saúde e da população pela rapidez com que a enfermidade evoluiu dentro da mesma família.
A primeira vítima foi Rubenita Lins dos Santos, de 60 anos, que morreu no dia 30 de maio. Pouco tempo depois, a filha, Crisleine Lins dos Santos, também contraiu a doença e precisou ser internada em estado grave.
Ela deu entrada no Hospital Helvio Auto em 23 de junho, mas não resistiu às complicações e morreu no último sábado (4).
Segundo informações médicas, Crisleine apresentou um quadro clínico extremamente delicado. Durante a internação, além da infecção por chikungunya, desenvolveu pressão arterial muito baixa, infecção bacteriana e falência múltipla de órgãos, fatores que agravaram seu estado de saúde.
Família pede conscientização
Abalados pela perda das duas parentes em pouco mais de um mês, familiares afirmaram que não pretendem apontar responsáveis, mas desejam transformar a dor em um alerta para outras pessoas sobre os riscos da doença.
Em depoimento, o primo de Crisleine, Edberto Junior, lembrou o perfil alegre da jovem e destacou o impacto da perda para toda a família.
Segundo ele, o objetivo agora é preservar a memória das vítimas e conscientizar a população sobre a importância da prevenção, para que outras famílias não enfrentem uma situação semelhante.
Município reforça combate ao mosquito
Após a confirmação da morte de Crisleine, a Prefeitura de São Miguel dos Campos, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, divulgou nota lamentando o falecimento da servidora pública.
O município informou que continua realizando ações permanentes de combate ao mosquito transmissor, incluindo visitas domiciliares, aplicação de larvicidas e eliminação de possíveis criadouros do Aedes aegypti.
Especialista alerta para casos graves
O infectologista René Oliveira ressaltou que, embora muitas pessoas apresentem sintomas leves, a chikungunya também pode evoluir para formas graves, especialmente entre pacientes com doenças crônicas, idosos ou pessoas com o sistema imunológico comprometido.
Nessas situações, a infecção pode desencadear complicações capazes de comprometer diversos órgãos e colocar a vida do paciente em risco.
Casos em Alagoas
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau), entre 1º de janeiro e 15 de junho deste ano, o estado registrou 467 casos prováveis de chikungunya, sem confirmação oficial de mortes nesse período.
No ano anterior, entretanto, Alagoas contabilizou 3.833 casos prováveis da doença e um óbito confirmado, demonstrando que o vírus continua circulando e exige atenção das autoridades e da população.
Especialistas reforçam que eliminar recipientes que acumulam água parada, permitir a entrada dos agentes de combate às endemias e buscar atendimento médico diante dos primeiros sintomas continuam sendo as principais formas de reduzir o risco de complicações provocadas pela chikungunya.
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