2 eventos ao vivo

São Paulo ultrapassa 15 mil mortes por covid-19; Doria diz que Estado chegou ao platô

Estado tem 15.030 mortes pela covid-19; número ficou abaixo da projeção feita pelo governo para o mês de junho, que era de até 18 mil óbitos. São Paulo tem 289.935 casos confirmados da doença

1 jul 2020
13h20
atualizado às 21h59
  • separator
  • 0
  • comentários
  • separator

São Paulo ultrapassou nesta quarta-feira, 1º, 15 mil mortes pelo novo coronavírus. Balanço da Secretaria Estadual da Saúde mostra que o Estado tem 15.030 mortes, 267 registradas em 24 horas. Já são 289.935 casos confirmados da doença, com 8.555 casos registrados em 24 horas. O número está abaixo de projeções feitas para o mês de junho pelo Centro de Contingência Contra a Covid-19, que passou a ser comandado por Paulo Menezes. A projeção era de até 290 mil casos até o final do mês e até 18 mil mortes.

Diante dos dados, o governador João Doria (PSDB) afirmou que eles mostram que o Estado chegou a um platô da doença. "Dados do comitê de saúde indicam mudança na curva da pandemia no Estado de São Paulo, especialmente na capital paulista. Quero reafirmar que estamos seguros de que estamos no caminho certo no Plano São Paulo. Esse não é um plano de flexibilização, mas uma quarentena heterogênea. Fechamos o mês abaixo dos óbitos projetados. Centenas de vidas foram poupadas em junho. Tivemos um leve declínio na curva de vítimas fatais. Conseguimos reduzir em 144 falecimentos na última semana. Não quero ser otimista e nem pessimista. Quero ser realista. Esses dados nos dão esperança e nos mostram a chegada num platô", disse Doria.

O platô ocorre quando, geralmente após um pico, os números de infectados se estabilizam e permanecem sem grandes variações por um período de tempo.

O Centro de Contigência apresentou dados que mostrariam uma estabilidade no número de mortes na capital entre as semanas 21 e 26 da epidemia. Nesse intervalo, as mortes foram 699 (semana 21), 748 (semana 22), 662 (semana 23), 698 (semana 24), 772 (semana 25) e 611 (semana 26). "Na capital, nas últimas seis semanas, nós temos uma pequena flutuação no número de mortes, que tem variado de 700, 770, mas graficamente é possível estabelecer um platô nesse período em relação aos novos óbitos na capital", afirmou João Gabbardo dos Reis, que é membro do Centro de Contigência da Covid-19 no Estado.

Já no interior, os dados mostram um avanço das mortes nessas semanas, com 658 (semana 21), 739 (semana 22), 864 (semana 23), 825 (semana 24), 1.141 (semana 25) e 1.158 (semana 26).

Questionado sobre a chegada a um platô, Paulo Menezes afirmou que algumas regiões já estariam em um cenário até de declínio da doença. "Algumas regiões, como a metropolitana, não só atingimos o platô como estamos entrando numa redução progressiva de casos e óbitos. No interior, que está na zona vermelha, esperamos uma estabilização do número de casos e óbitos na semana que vem, fruto das medidas de isolamento e da quarentena", afirmou.

O mês de junho fechou com um aumento de 93% nas mortes pela doença em São Paulo em relação ao mês de maio. Foram 7.148 óbitos registrados no mês, ante 5.240 mortes registradas em maio. O crescimento, entretanto, foi em um ritmo menor do que o registrado na comparação entre maio e abril, quando o total de mortes havia crescido 220%.

Já o percentual de aumento dos novos casos foi maior. Em junho, houve um crescimento de 156% no registro de confirmação de novos casos na comparação com o mês anterior. Ao todo, 171.682 pessoas receberam o diagnóstico positivo da doença no mês encerrado nesta terça-feira. Em maio, foram 81 mil novas confirmações. Assim como no caso de mortes, o aumento percentual do número de novos casos foi menor, em junho, do que o do mês anterior. Em maio, na comparação com abril, o aumento havia sido de 282%.

"Estamos na semana 27 e, historicamente, essa semana é a que tem maior pressão no sistema de saúde. Mas temos expectativa até de termos números menores de mortes e teremos atravessado a semana mais ameaçadora no sistema de saúde. A expectativa é de que tenhamos redução em número de novos casos", afirmou Gabbardo.

Diante do processo de reabertura parcial de atividades econômicas no Estado, Gabbardo afirmou que a maior circulação de pessoas preocupa, mas que há um monitoramento desse processo. "Claro que essa questão da liberação que gradualmente se faz preocupa e todos nós estamos absolutamente atentos ao que pode acontecer. Mas, se analisarmos a experiência de outros países numa segunda onda, é um pouco diferente do comportamento da primeira onda, que atingia muito mais pessoas idosas e com comorbidades", disse. E complementou: "O que está sendo analisado, neste momento, é que, com essa liberação de determinadas atividades, a população que sai para a rua é mais jovem, mas os idosos e as pessoas com doenças crônicas permanecem em casa. Tem havido um aumento no número de casos, mas não tem correspondência com a letalidade. Nós também vamos acompanhar isso. Pode aumentar a transmissibilidade, mas não deve aumentar a pressão sobre o sistema de saúde", disse.

Ainda segundo o balanço da Secretaria Estadual da Saúde, 157.845 pessoas se recuperaram da doença. A taxa de ocupação de leitos de UTI no Estado é de 64,4% e, na Grande São Paulo, de 65,4%. Estão internados em leitos de unidade de terapia intensiva 5.422 pacientes e outros 7.999 em leitos de enfermaria, entre casos confirmados e suspeitos.

Testes para a vacina da covid-19

Segundo Doria, já foram definidos os 12 centros de pesquisa que farão os testes da vacina contra o novo coronavírus aqui no Brasil na parceria com a chinesa Sinovac Biotech. Os testes, liderados pelo Instituto Butantan, serão realizados com 9 mil voluntários em seis estados brasileiros: São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná.

Em São Paulo, os testes serão conduzidos no Centro de Pesquisas do Hospital das Clínicas (USP), Instituto Emílio Ribas, Hospital Albert Einstein, Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Hospital das Clínicas da Unicamp, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Fora de São Paulo, os centros são: Universidade de Brasília, Instituto de Infectologia Evandro Chagas da Fiocruz, Universidade Federal de Minas Gerais, Hospital São Lucas da PUC-RS e Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná.

"Esses centros divulgarão critérios de inclusão dos candidatos e poderemos iniciar o processo do estudo clínico em si, com expectativa para semana que vem. O Butantan realizará o desenvolvimento final dessa vacina. Na minha expectativa, essa é uma das vacinas mais promissoras do mundo. Vamos sair já com um acordo, havendo registro, de disponibilização para o Brasil inicialmente de 60 milhões de doses", disse Dimas Tadeu Covas, do Instituto Butantan.

"O governo espera aprovação esta semana da Anvisa para os testes", disse Doria. Segundo ele, a Sinovac, com quem o governo do Estado fechou parceria, já fez testes com mais de mil voluntários na China. O acordo com o laboratório, segundo Doria, permite a transferência de tecnologia para produção da vacina pelo Butantan em São Paulo e ela será distribuída no SUS.

Multa para quem não usar máscaras

O Estado começará a multar quem não estiver usando máscaras, que já são de uso obrigatório. Quem estiver sem máscara em locais públicos terá de pagar multa de R$ 524,59. Já estabelecimentos comerciais que permitirem pessoas sem o equipamento de proteção em seu interior serão multados em R$ 5.025,02. O valor é para cada pessoa sem máscara. A fiscalização da regra será feita pela Vigilância Sanitária estadual e pelas vigilâncias sanitárias municipais. Os valores serão repassados ao programa Alimento Solidário, que distribui cestas básicas para famílias carentes.

Nesta quarta, a Vigilância Sanitária Estadual fez uma blitz na região central de São Paulo. Os agentes percorreram estabelecimentos da região da rua 25 de Março. Os profissionais distribuíram 3 mil máscaras e panfletos com o "passo a passo" para a utilização correta. Além disso, também houve a distribuição e fixação de placas adesivadas que deverão estar disponíveis em local visível nos estabelecimentos.

Veja também:

Venezuela: os trabalhadores da saúde com salários de US$ 4 por mês e sem equipamentos de proteção
Estadão
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade