Rede D'Or cria o maior parque robótico da América Latina
São 23 robôs e 22 mil cirurgias realizadas entre 2015 e 2022; método proporciona maior controle aos médicos e melhor recuperação dos pacientes
Portador de uma doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e de um enfisema bolhoso que ocupava toda a extensão de seus pulmões, Sérgio Watson, de 65 anos, dependia de um suporte de oxigênio para sobreviver. Uma simples conversa já o deixava esgotado. Hoje em dia, Sérgio consegue fazer caminhadas com seu cachorro pela praia.
O que separa uma vida da outra é uma cirurgia com técnica inovadora, criada pelo médico Tiago Machuca, que realoca os pulmões na caixa torácica e usa a robótica para realizar correções no órgão e curar condições que, se não existisse essa operação, teriam de ser resolvidas por meio de um transplante.
Machuca realizou a cirurgia de Sérgio na Rede D'Or, que hoje conta com o maior parque de cirurgia robótica da América Latina. São 23 equipamentos no total, todos de quarta geração, a mais moderna disponível no mercado. Só no ano passado a empresa investiu R$ 200 milhões para a compra de aparelhos desse tipo.
Cerca de 22 mil cirurgias robóticas foram realizadas na Rede D'Or entre 2015 e 2022, sendo que 5 mil delas aconteceram no hospital Vila Nova Star, no Itaim, em São Paulo.
Visão em 3D
Minimamente invasiva, a cirurgia robótica amplia as possibilidades para médicos e pacientes. Cada robô conta com, pelo menos, quatro braços mecânicos, que podem ser equipados com diferentes instrumentos cirúrgicos ou câmeras. A nova geração tem maior mobilidade e possibilidade de rotação em 360°, com imagens em resolução 3D HD.
O robô reproduz em tempo real os comandos do cirurgião que, sentado a distância, controla os seus movimentos, com uma visão tridimensional ampliada em até dez vezes.
"É como se o médico estivesse dentro do corpo, os sentidos são ampliados, aumentando a destreza", diz o cirurgião do aparelho digestivo Carlos Domene, coordenador médico do programa de cirurgia robótica da Rede D'Or e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva e Robótica (Sobracil).
Além disso, essa técnica usa instrumentos ainda mais finos e menores do que na laparoscopia. "Isso causa menos dano aos tecidos e evita cortes acidentais de vasos sanguíneos", diz Domene. Os braços mecânicos ainda contam com um mecanismo de controle de tremor, que corrige o movimento se o cirurgião tremer as mãos sem querer.
Outra grande evolução é que a cirurgia robótica representa a entrada das operações médicas na era digital, permitindo que softwares agreguem novas funcionalidades aos equipamentos. Futuramente, sistemas de inteligência artificial poderão orientar o médico durante uma cirurgia em tempo real.
Uma das áreas que mais utilizam a cirurgia robótica é a urologia, especialmente na cirurgia de câncer de próstata. "Ela proporciona mais controle e precisão, resultando em menos dor, menos trauma, menos sangramentos e melhores resultados funcionais, com mais chance de recuperação da função sexual e controle urinário", diz o urologista Rodrigo Frota.
Além das cirurgias do aparelho digestivo e da urologia, outras especialidades também vêm se beneficiando da robótica, como a ginecologia, cirurgia bariátrica e de tireoide.