Jovem com 'síndrome do lobisomem' conta detalhes sobre rotina
Indiano Lalit Patidar, de 19 anos, foi considerado o homem mais peludo do mundo
O jovem indiano Lalit Patidar, de 19 anos, ganhou fama internacional por uma condição extremamente rara que faz com que grande parte de seu rosto seja coberta por pelos. Apesar dos desafios, ele afirma ter aprendido a lidar com a situação e hoje usa sua visibilidade para compartilhar sua rotina e falar sobre aceitação.
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Mais de 95% do rosto do jovem é coberto por pelos grossos devido à hipertricose, também conhecida popularmente como "síndrome do lobisomem". A condição provoca crescimento excessivo de pelos no corpo e no rosto e é considerada extremamente rara, com poucos registros documentados ao longo da história.
Natural do estado de Madhya Pradesh, na Índia, Lalit conta que, com o tempo, passou a enxergar a condição como parte central de quem ele é. "Para mim, ser diferente faz parte da minha identidade. Isso me torna único", disse ao The Sun.
"Mesmo em uma multidão de milhares ou milhões de pessoas, eu me destaco".
Segundo ele, aceitar a própria aparência foi um processo gradual. Atualmente, Lalit compartilha sua rotina nas redes sociais, onde reúne centenas de milhares de seguidores. Nos vídeos, ele mostra desde momentos do dia a dia até viagens e cuidados necessários para lidar com o crescimento constante dos pelos.
Para manter o comprimento sob controle, ele precisa aparar os fios regularmente. Como os pelos do rosto são tão grossos quanto os do couro cabeludo, o adolescente usa tesoura em vez de lâmina para fazer os cortes.
Apesar da forma positiva com que encara a condição, ele reconhece que o excesso de pelos pode trazer dificuldades práticas no cotidiano. "Às vezes, os pelos podem tornar coisas simples mais difíceis".
"Por exemplo, podem afetar a alimentação, a visão clara e até a audição em alguns momentos. [...] São pequenos desafios da vida cotidiana, mas aprendi a lidar com eles".
A trajetória até essa postura mais confiante, no entanto, não foi simples. Durante a infância, o adolescente enfrentou episódios frequentes de preconceito na escola. "Na época isso me fazia sentir mal. Mas, com o tempo, fiz amigos e, com o apoio da minha família, me tornei mais forte e confiante".
Hoje, a visibilidade nas redes sociais abriu novas oportunidades para o jovem. Em 2024, ele viajou para a Itália, onde participou de medições feitas pelo Guinness World Records. O resultado apontou que ele possui 201,72 fios de cabelo por centímetro quadrado no rosto e na cabeça, marca que o levou a ser reconhecido oficialmente como o homem mais peludo do mundo.
Embora às vezes pense em realizar algum procedimento para reduzir os pelos, ele reconhece que há poucas opções disponíveis. "Às vezes eu penso em fazer alguma cirurgia para remover o excesso de pelos, porque quero ser amigo de todo mundo. Mas não há muito que eu possa fazer".
Sem cura conhecida para a condição, Lalit afirma que a forma como as pessoas reagem mudou com o passar dos anos, especialmente com a exposição nas redes sociais.
"Antes, muitas pessoas não entendiam minha condição e reagiam com medo ou com piadas, mas agora, com as redes sociais e mais informação, mais pessoas me entendem e me respeitam".
"Ser único não é uma fraqueza, é a sua identidade. É quem eu sou, e eu tenho orgulho disso".