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Queda de cabelo pós-dengue: o que explica esse quadro? Tem tratamento?

Estresse físico pela doença e desequilíbrios hormonais são alguns dos motivos por trás da perda dos fios

30 mai 2024 - 09h25
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Em meio à atual epidemia de dengue, que atinge o pior patamar da história, tem sido comum encontrar pessoas se queixando da perda de cabelo após a infecção pela doença nas redes sociais. "Tive dengue há mais ou menos dois meses e meu cabelo segue caindo muito", escreveu uma pessoa no X, antigo Twitter. "Depois da dengue, meu cabelo ficou frágil. Todo dia cai aos montes", escreveu outra.

Segundo a dermatologista Lilian Brasileiro, essa reação é comum entre os que se recuperam da doença, especialmente da forma hemorrágica. Conhecido como "eflúvio telógeno", o quadro acontece quando os cabelos saem da fase de crescimento (anágena) e entram na fase de queda (telógena). Ao contrário do que parece, isso é algo normal. O cabelo permanece na fase anágena por cerca de dois a quatro anos e, depois, vai para a fase telógena, onde é substituído por novos. O que ocorre, no caso da dengue, é uma antecipação desse processo.

Conforme explica Lilian, que é membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a antecipação da fase de queda (telógena) na dengue se deve a inúmeros fatores. A infecção viral desencadeia uma resposta inflamatória sistêmica no organismo, que pode afetar negativamente o ciclo de crescimento capilar. Além disso, durante a fase aguda da doença, o sistema imunológico é ativado para combater o vírus, o que pode resultar em uma resposta exagerada, causando desequilíbrios hormonais e metabólicos.

"Esses desequilíbrios podem afetar diretamente os folículos pilosos [anexo da nossa pele responsável pela produção e crescimento do pelo], acelerando a transição dos fios da fase de crescimento para a fase telógena de queda. Além disso, o estresse físico causado pela própria doença, juntamente com possíveis deficiências nutricionais associadas à perda de apetite e desidratação durante a dengue, podem agravar ainda mais a condição capilar", explica Lilian.

Segundo a médica, esse tipo de queda assusta os pacientes, pois pode envolver a perda de até um terço do volume do cabelo. A doença também pode agravar quadros de queda capilar pré-existentes. "Por exemplo, se o paciente já sofre com alopecia androgenética, popularmente conhecida como calvície, esse quadro será mais acentuado e, consequentemente, mais difícil de recuperar", diz a médica.

A queda costuma durar quanto tempo?

De acordo com Lilian, essa queda de cabelo pode durar de três a seis meses. A maioria das pessoas, então, vê o cabelo voltando ao normal após esse período. Porém, de 10 a 20% dos pacientes podem não melhorar espontaneamente, necessitando de tratamento.

"Isso pode acontecer devido a uma variedade de fatores, incluindo condições subjacentes como deficiências nutricionais (como deficiência de ferro), distúrbios hormonais (como problemas na tireoide) ou estresse crônico. Essas condições prolongam a fase telógena do ciclo capilar, impedindo a reposição adequada dos fios", explica Lilian. "Nesses casos, é necessário um diagnóstico preciso e um plano de tratamento individualizado para abordar essas causas subjacentes do eflúvio telógeno e estimular o crescimento capilar", completa.

Como tratar?

Segundo Lilian, uma dieta adequada é muito importante no processo de recuperação dos fios, o que inclui alimentos ricos em proteínas, vitaminas e minerais. Além disso, é possível associar tratamentos para evitar que a queda seja ainda mais prolongada e acentuada. "Podemos utilizar, por exemplo, tônicos específicos para controle da queda capilar, assim como realizar a aplicação de laser e medicamentos em consultórios para amenizar o quadro".

Ela destaca que também é importante lavar regularmente os fios, pois a oleosidade excessiva na região pode piorar a queda. Além disso, é necessário evitar procedimentos capazes de agravar o problema, como escova progressiva e tinturas.

Quando procurar um especialista?

De acordo com a especialista, é necessário ter em mente que é absolutamente normal que alguns fios caiam diariamente. A preocupação com a queda só é necessária quando a quantidade de fios perdidos ultrapassa os 100 por dia ou quando há presença de falhas no couro cabeludo. Esse tipo de sinal deve ser levado em consideração tanto após a infecção de dengue quanto em condições aparentemente normais, pois são indicativos de que algo não vai bem com a saúde dos cabelos.

No caso do período pós-dengue, é crucial consultar um especialista se a queda persistir por um período prolongado após a recuperação. Esse cuidado é especialmente importante se a perda de cabelo continuar por mais de três meses após a infecção, pois pode indicar uma condição subjacente mais grave que exige atenção médica.

"A avaliação detalhada do couro cabeludo e dos folículos pilosos por um especialista em tricologia, juntamente com testes diagnósticos relevantes, permite prescrever tratamentos específicos, como suplementação nutricional, terapias tópicas ou procedimentos médicos, para reduzir a perda de cabelo e estimular o crescimento capilar saudável", enfatiza a especialista.

Estadão
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