Quantas horas de jejum são consideradas seguras para um adulto saudável?
'Não há recomendação científica sólida para indicar jejuns tão prolongados como estratégia segura de emagrecimento', alerta médica
O jejum, prática adotada por diferentes culturas e popularizado como estratégia de bem-estar e emagrecimento, tem ganhado cada vez mais espaço nas discussões sobre saúde. Essa semana, a atriz da RedeTV! e influenciadora digital, Thalita Souza impressionou ao revelar que decidiu encarar um desafio radical: um jejum de 80 horas para eliminar cinco quilos extras.
Mas afinal, até quantas horas sem comer podem ser consideradas seguras para a maioria das pessoas? Entre os protocolos mais comuns está o jejum intermitente, que alterna períodos de alimentação e abstinência.
"O que temos de evidência é sobre protocolos de jejum intermitente bem estudados: 12 a 16 horas de jejum diário (ex.: 16:8). Ou até 24 horas em dias alternados, em contextos clínicos específicos. Esses formatos, quando aplicados corretamente, podem contribuir para melhora da sensibilidade à insulina, redução da gordura visceral e controle metabólico", explica a Dra. Tassiane Alvarenga endocrinologista e Metabologista pela SBEM.
Acima de 24–36 horas, segundo a especialista, os riscos metabólicos crescem de forma significativa. "Não há recomendação científica sólida para indicar jejuns tão prolongados como estratégia segura de emagrecimento", diz.
"O ponto central é que o jejum não deve ser visto como restrição extrema, mas como uma ferramenta que precisa ser personalizada. Por isso, sempre é indicado consultar um profissional de saúde antes de adotar a prática", complementa a nutricionista Amanda Figueiredo.
É arriscado fazer jejum de 80 horas?
Seguir um jejum tão grande, como aconteceu com Thalita Souza, pode não ser o mais indicado para a maioria das pessoas.
" Jejuns muito prolongados (como 80 horas) não são estratégias seguras para a maioria das pessoas. Eles aumentam o risco de hipoglicemia, arritmias, desidratação, perda de massa muscular, distúrbios eletrolíticos e até síncope", alerta a Dra. Tassiane.
Estudos mostram que, enquanto jejuns intermitentes de até 24 horas podem ser tolerados em indivíduos saudáveis, períodos maiores trazem riscos que superam eventuais benefícios, principalmente quando realizados sem acompanhamento médico.
" Jejuar sem orientação pode causar fraqueza, tonturas, hipoglicemia, perda de massa magra e até desregulações hormonais. Além disso, cada organismo responde de forma diferente, e o que pode ser seguro para uma pessoa pode ser prejudicial para outra. O ideal é começar de forma gradual, com protocolos adequados ao seu estilo de vida e necessidades nutricionais, sempre sob supervisão profissional", complementa Amanda.
Quem não pode fazer jejum?
Existem grupos em que o jejum não é indicado (contraindicação absoluta ou relativa):
• Crianças e adolescentes (risco de déficit nutricional e prejuízo no crescimento).
• Gestantes e lactantes (necessidade nutricional aumentada).
• Diabéticos em uso de insulina ou hipoglicemiantes (risco elevado de hipoglicemia grave).
• Pacientes com transtornos alimentares (TCA, anorexia, bulimia, compulsão alimentar).
• Idosos frágeis ou com sarcopenia (perda de massa muscular).
• Pessoas com doenças cardíacas, renais ou hepáticas graves.
"Mesmo indivíduos saudáveis devem evitar práticas radicais sem orientação médica, já que os riscos superam os benefícios", completa a médica..
O jejum intermitente pode ser uma ferramenta interessante quando usado de forma criteriosa, mas jejuns extremos, como de 80 horas, não são respaldados pela ciência como seguros. "Estratégias de saúde não podem se basear em radicalismos, e sim em práticas sustentáveis, personalizadas e, acima de tudo, seguras", conclui.