Obesidade prejudica ação de vacinas
Um estudo da Universidade de Missouri revelou que a obesidade prejudica a qualidade e a duração dos anticorpos gerados por vacinas devido a falhas nos centros germinativos do sistema imune. No entanto, testes em animais mostraram que o organismo compensa essa deficiência ativando fortemente células T de memória residentes nos pulmões. Essa descoberta pode orientar o desenvolvimento de novos imunizantes focados na proteção direta nos tecidos, contornando as limitações causadas pela obesidade.
04 de setembro de 2026 (Bibliomed). Estudo realizado na Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, descobriram que a obesidade compromete significativamente a qualidade e a duração da resposta de anticorpos às vacinas. Isso ajuda a explicar o motivo de algumas vacinas que dependem de alta produção de anticorpos terem pior desempenho em pessoas obesas.
Os autores explicam que o problema decorre de defeitos nos centros germinativos, estruturas temporárias do sistema imunológico onde as células B produzem anticorpos e constroem memória contra patógenos.
Os pesquisadores usaram uma vacina contra a bactéria Pseudomonas aeruginosa, uma das principais causadoras de pneumonia grave em pessoas com obesidade, em animais. Eles descobriram que, embora a resposta de anticorpos tenha sido reduzida, a vacina gerou uma forte ativação de células T de memória residentes nos tecidos pulmonares - células especializadas que vivem permanentemente nos pulmões e não circulam pela corrente sanguínea.
Essas células são responsáveis por fornecer uma proteção rápida e intensa contra a infecção, algo não observado em camundongos alimentados com dieta normal ou com baixo teor de gordura. Este resultado indica que a memória T residente pode estar compensando as deficiências de anticorpos induzidas pela obesidade.
Agora, os pesquisadores planejam identificar os sinais moleculares específicos que permitem que essas células T do pulmão sejam ativadas apesar da inflamação crônica associada à obesidade. Compreendendo esse processo, eles planejam criar vacinas que priorizem intencionalmente a imunidade residente nos tecidos, garantindo proteção diretamente no local onde o patógeno entra no organismo, em vez de tentar apenas elevar os níveis de anticorpos no sangue.
Fonte:The Journal of Immunology. DOI: 10.1093/jimmun/vkag052.
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