Efeitos dos adoçantes passam para futuras gerações
Estudo da Universidade do Chile revelou que os impactos negativos de adoçantes como sucralose e estévia afetam a saúde metabólica e o microbioma intestinal de futuras gerações de cobaias. Os testes mostraram intolerância à glicose e alta de açúcar no sangue até a segunda geração, além da redução de bactérias benéficas e ácidos graxos essenciais. A sucralose causou danos mais severos e duradouros à microbiota, alertando para os riscos hereditários do uso contínuo desses produtos.
04 de setembro de 2026 (Bibliomed). Pesquisa realizada em animais na Universidade do Chile mostrou que os efeitos negativos do uso de adoçantes não-nutritivos - que têm o sabor doce, mas não têm calorias como o açúcar - podem passar para as próximas gerações.
O estudo foi realizado em laboratório e envolveu adoçantes populares, como sucralose e estévia, e comprovou que eles têm efeitos negativos no microbioma intestinal e na expressão gênica, podendo comprometer a saúde metabólica. O que mais chamou a atenção dos pesquisadores é que esses efeitos foram observados em gerações futuras.
Os testes mostraram que cada adoçante produz efeitos diferentes no organismo, que mudam ao longo do tempo. Na primeira geração das cobaias, apenas os descendentes machos que consumiram sucralose apresentaram sinais de intolerância à glicose; mas, na segunda geração, níveis elevados de açúcar no sangue em jejum foram detectados tanto nos descendentes machos que consumiram sucralose quanto nas descendentes fêmeas que consumiram estévia.
Os dois grupos que consumiram adoçantes apresentaram microbiomas fecais mais diversos, mas concentrações mais baixas de ácidos graxos de cadeia curta, o que sugere que as bactérias estavam produzindo menos metabólitos benéficos; ambas as gerações subsequentes também apresentaram concentrações mais baixas de ácidos graxos de cadeia curta.
Animais que consumiram sucralose foram afetados de forma mais grave e persistente, com alterações no microbioma fecal, com maior número de espécies patogênicas e menor número de espécies bacterianas benéficas em suas fezes. A sucralose também parece estimular a expressão gênica, mas seus efeitos não são transmitidos para as futuras gerações.
Fonte: Frontiers in Nutrition. DOI: 10.3389/fnut.2026.1694149.
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