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Mutações relacionadas ao câncer podem contribuir para o desenvolvimento do Alzheimer

23 set 2026 - 12h57
(atualizado às 12h58)
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Resumo
Um estudo publicado na Cell revelou que mutações genéticas ligadas a cânceres do sangue podem favorecer o Alzheimer. Identificadas em amostras cerebrais e sanguíneas, essas alterações tornam células imunológicas hiperinflamatórias, causando danos aos neurônios. A suspeita é de que células do sangue com essas mutações migrem ao cérebro com o envelhecimento. Embora não sirva ainda para diagnóstico, o achado abre portas para exames de sangue preditivos e o uso de terapias oncológicas contra a demência.

23 de setembro de 2026 (Bibliomed). Alterações genéticas geralmente associadas a cânceres do sangue também podem estar envolvidas no desenvolvimento da doença de Alzheimer, segundo pesquisa publicada na revista Cell.

Mutações relacionadas ao câncer podem contribuir para o desenvolvimento do Alzheimer
Mutações relacionadas ao câncer podem contribuir para o desenvolvimento do Alzheimer
Foto: /Evanto / Boa Saúde

O estudo identificou mutações em células do sistema imunológico presentes no cérebro, chamadas micróglias. Essas células ajudam a eliminar resíduos e proteger os neurônios. No entanto, determinadas mutações podem torná-las excessivamente inflamatórias e potencialmente prejudiciais.

Os pesquisadores analisaram 149 genes relacionados ao câncer em amostras cerebrais de 190 pessoas com Alzheimer e de 121 pessoas sem a doença. Algumas alterações genéticas apareceram com maior frequência entre os pacientes com demência.

As mesmas mutações também foram identificadas em células sanguíneas. Uma possível explicação é que, com o envelhecimento ou após lesões, células do sangue possam atravessar a barreira que protege o cérebro e passar a atuar de maneira semelhante às micróglias. Essa entrada poderia intensificar a inflamação e contribuir para danos aos neurônios.

A descoberta ainda não permite prever ou diagnosticar o Alzheimer. Entretanto, pode estimular pesquisas sobre exames de sangue para identificação de risco e sobre medicamentos utilizados no tratamento do câncer como possíveis estratégias futuras contra processos inflamatórios envolvidos na demência.

Fonte: Cell. DOI: 10.1016/j.celrep.2026.117561.

Boa Saúde
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