Corrida em grupo fortalece segurança e redes femininas no Brasil
Estudo mostra que a corrida feminina cresce no Brasil e que grupos de mulheres criam redes de apoio, segurança e pertencimento nas pistas do país.
Com a participação feminina atingindo 50% dos 15 milhões de corredores no Brasil, a corrida de rua em grupo tornou-se uma estratégia crucial de segurança, apoio mútuo e ocupação de espaços públicos. Para visibilizar esse protagonismo em contraposição à frequente representação feminina apenas como vítimas na segurança pública, a campanha nacional "Bota Ela no Mapa" une coletivos de várias regiões para mapear mulheres que constroem redes de cuidado e proteção por meio do esporte coletivo.
Correr em grupo virou estratégia de segurança para as mulheres brasileiras. A corrida cresce no país impulsionada por elas, e a prática coletiva tem se tornado sinônimo de proteção, apoio e pertencimento.
O Brasil já reúne mais de 15 milhões de corredores regulares. A participação feminina saltou de 42% para 50% em apenas um ano, segundo o estudo Por Dentro do Corre II, realizado pela Olympikus e pela Box1824.
Esse crescimento não aconteceu de maneira isolada. Junto com mais mulheres nas pistas, cresceram também os grupos criados e liderados por elas em diferentes regiões do Brasil.
Corrida coletiva vira rede de apoio
Esses coletivos vão além do treino físico. Eles formam redes de segurança, cuidado e pertencimento entre as participantes.
É esse movimento que a campanha Bota Ela no Mapa quer registrar. A iniciativa reúne 12 grupos de corrida independentes e parceiros da sociedade civil.
A proposta é simples: reunir histórias de mulheres que fazem diferença na vida e na segurança de outras pessoas, dentro e fora das pistas. Os relatos vão formar um mapa coletivo nacional.
O objetivo é dar visibilidade a quem já atua todos os dias nesse cuidado, mas raramente é reconhecida por isso.
Quando uma corre, outras correm junto
Em Goiânia, o grupo Peloteiras nasceu da corrida e hoje conecta mulheres por meio do esporte. Thaissa Melo, integrante do coletivo, viveu um momento que resume essa força coletiva.
Durante uma prova, uma das Peloteiras pensou em desistir. Ao ver as colegas torcendo e gritando por ela, encontrou forças para continuar.
"Acho que isso resume o que é correr juntas: quando você deixa de acreditar que consegue, há outras mulheres acreditando por você", conta Thaissa Melo.
Em São Paulo, o grupo Trans no Corre segue um caminho parecido. O coletivo é liderado por cinco pessoas trans e promove a ocupação de espaços públicos por diferentes corpos e identidades.
Para Gael Penha, cofundador do grupo, cada treino deixa uma marca nos lugares ocupados pelo coletivo. "Quando uma travesti idosa vai conosco caminhar no Minhocão, não estamos reescrevendo a história, mas dando um novo rumo", afirma Gael Penha.
Ele completa: o espaço que antes representava repressão passa a significar sorrisos, liberdade, saúde e comunidade viva.
Por que colocar uma mulher no mapa
Mulheres criam espaços mais seguros no cotidiano brasileiro. Ainda assim, raramente são reconhecidas como referências quando o tema é segurança pública.
É o que mostra o levantamento Mídia, Gênero e Segurança e a construção de imaginários, realizado pelo Instituto Update.
O estudo analisou 49 matérias sobre segurança pública publicadas entre janeiro e junho de 2026. Os números revelam um desequilíbrio:
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224 personagens identificados nas matérias analisadas.
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65% eram homens e apenas 35% eram mulheres.
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Metade das mulheres aparece como vítima, sobrevivente ou familiar de vítima.
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57,5% dos homens são apresentados como representantes de instituições, como polícia, Justiça e governo.
Carolina Althaller, especialista em narrativas e diretora-executiva do Instituto Update, resume o problema: "Quando falamos de segurança, as mulheres costumam aparecer como vítimas, e não como pessoas que constroem soluções. Mas, todos os dias, elas criam redes de cuidado, pertencimento e ocupação dos espaços", afirma.
Segundo ela, dar visibilidade a essas histórias amplia o imaginário sobre quem produz segurança no Brasil.
Como participar da campanha
O Bota Ela no Mapa quer tornar essa dimensão visível. Qualquer pessoa pode enviar a história de uma mulher que faz diferença na segurança de outras.
Veja como participar:
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Acesse o site botaelanomapa.org.
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Preencha o formulário com a história de uma mulher inspiradora.
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Aguarde o lançamento oficial do mapa coletivo.
O mapa será lançado em 27 de setembro. A data marca uma mobilização nacional com 12 treinões simultâneos, organizados por grupos de corrida de diferentes regiões do Brasil.
Grupos participantes pelo Brasil
A campanha reúne coletivos de corrida em diversas cidades brasileiras. Confira alguns dos grupos e seus perfis no Instagram:
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São Paulo/SP: Trans no Corre (@transnocorre) e Elas que Voam (@elasquevoam).
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Sorocaba/SP: Divas que Correm (@divasquecorremsorocaba).
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Rio de Janeiro/RJ: Divas que Correm (@divasquecorremrj).
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Porto Alegre/RS: Coletivo Corre Preto (@coletivocorrepreto).
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Salvador/BA: SBN Running - Corre das Minas (@sbnrunning).
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Campina Grande/PB: Corrida Viver Mulher (@corrida.vivermulher).
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Recife/PE: Divas que Correm (@divasquecorrempernambuco).
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Goiânia/GO: Peloteiras (@peloteiras).
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Brasília/DF: Divas que Correm (@divasquecorrembrasilia).
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Manaus/AM: Amazônidas Run (@amazonidas_run).
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Parauapebas/PA: Divas que Correm (@divasquecorrempara).
A corrida como espaço de transformação
A corrida em grupo mudou a forma como muitas mulheres ocupam as ruas brasileiras. Ela também mostrou que segurança se constrói coletivamente, passo a passo.
Os números do estudo Por Dentro do Corre II confirmam essa virada. A corrida deixou de ser apenas exercício e se tornou ferramenta de rede e apoio mútuo.
Para acompanhar o lançamento do mapa ou enviar uma história, basta acessar botaelanomapa.org ou seguir o perfil @botaelanomapa no Instagram.
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