Melatonina: riscos do uso prolongado, segundo pesquisas recentes
O uso de melatonina tornou-se comum entre pessoas que buscam dormir melhor, especialmente em grandes cidades e em rotinas de trabalho intensas. Saiba os riscos do uso prolongado.
O uso de melatonina tornou-se comum entre pessoas que buscam dormir melhor, especialmente em grandes cidades e em rotinas de trabalho intensas. O hormônio é vendido em farmácias, pela internet e muitas vezes é visto como uma solução rápida para a insônia. Porém, especialistas alertam que o consumo sem orientação profissional pode trazer riscos, principalmente quando o uso ocorre por longos períodos e em doses inadequadas.
A melatonina é produzida naturalmente pelo organismo e tem papel importante na regulação do sono. Quando se ingere em forma de suplemento, essa substância passa a ser oferecida de maneira artificial, o que pode alterar o equilíbrio do corpo. Em vez de funcionar apenas como um auxílio pontual, o uso frequente pode mascarar outros problemas de saúde e prolongar distúrbios que deveriam ser investigados por um médico.
O que é melatonina e como ela age no organismo?
A melatonina é um hormônio cuja produção se dá principalmente pela glândula pineal, no cérebro, em resposta à diminuição da luz ao anoitecer. Ela ajuda a regular o chamado ritmo circadiano, um tipo de relógio biológico que orienta o horário de dormir e acordar. Quando a noite cai, a produção aumenta; pela manhã, com a luz do dia, os níveis caem de forma natural.
Ao usar suplemento de melatonina, esse processo passa a sofrer com a influência de uma fonte externa. A substância em comprimidos ou gotas é absorvida pelo organismo e chega ao cérebro, sinalizando que é hora de dormir, mesmo que o ambiente ou o horário não sejam os ideais. Em curto prazo, isso pode até facilitar o início do sono, mas em uso prolongado, o corpo pode se acostumar com a presença constante do hormônio, reduzindo a produção própria.
Além disso, o horário e a dose em que a melatonina é ingerida fazem diferença. Tomar o suplemento em um momento inadequado pode desregular ainda mais o relógio biológico, causando sonolência em horários impróprios ou dificuldade para acordar. Por isso, muitos profissionais de saúde consideram a melatonina um medicamento que precisa de orientação, e não apenas um "vitamínico" qualquer.
Por que o uso de melatonina pode apresentar riscos em longo prazo?
O uso prolongado de melatonina em cápsulas ou gotas levanta preocupações por diferentes motivos. Um deles é a possibilidade de o organismo diminuir sua própria produção do hormônio, já que passa a recebê-lo de forma constante e externa. Em situações assim, a pessoa pode ficar dependente do suplemento para conseguir dormir, sentindo dificuldade ainda maior para pegar no sono sem ele.
Outro ponto é o risco de efeitos colaterais cumulativos. Entre os relatos mais frequentes estão:
- Sonolência excessiva durante o dia;
- Dores de cabeça e mal-estar;
- Tonturas e sensação de desequilíbrio;
- Mudanças no apetite e no peso;
- Alterações de humor e irritabilidade.
Em alguns casos, a melatonina pode interagir com outros medicamentos, como remédios para pressão alta, anticoagulantes e tratamentos hormonais. Em pessoas com determinadas condições, como depressão, epilepsia ou doenças autoimunes, o uso de longo prazo pode ser ainda mais delicado. Sem acompanhamento médico, esses riscos tendem a ser ignorados ou confundidos com outros problemas do dia a dia.
Quais são os mitos mais comuns sobre a melatonina "natural"?
Muitos consumidores consideram a melatonina natural ou "hormônio do sono" como algo totalmente seguro, apenas por ser associada a uma substância que o corpo já produz. Esse raciocínio leva à ideia de que não há perigo em tomar doses elevadas ou em manter o uso por meses ou anos. No entanto, qualquer hormônio utilizado em suplemento pode interferir em funções internas sensíveis.
Outra crença comum é a de que a melatonina resolverá qualquer problema de insônia. Na prática, dificuldades para dormir podem estar ligadas a diversos fatores, como ansiedade, depressão, apneia do sono, uso de telas à noite, consumo de cafeína ou álcool, entre outros. Nesses casos, a melatonina apenas alivia os sintomas temporariamente, enquanto a causa real continua sem tratamento adequado.
Há ainda confusão em relação às doses. Em muitos países, os produtos disponíveis no mercado apresentam concentrações acima daquelas geralmente usadas em protocolos médicos. Em alguns suplementos, análises laboratoriais já detectaram variações de quantidade em relação ao rótulo, o que aumenta o risco de ingestão maior do que a necessária. Isso reforça a importância de evitar o uso sem supervisão.
Como usar melatonina com mais segurança e quais alternativas existem?
Quando os profissionais indicam o uso de melatonina, em geral consideram fatores como idade, rotina, presença de outras doenças e medicamentos em uso. Crianças, adolescentes, idosos e gestantes merecem atenção especial, pois podem reagir de maneira diferente ao hormônio. Em muitos casos, médicos priorizam o uso por tempo limitado, com dose mínima eficaz e sempre avaliando o resultado.
Antes de recorrer ao suplemento, costumam ser recomendadas mudanças de hábitos relacionadas a higiene do sono, como:
- Reduzir o uso de telas (celular, computador, TV) pelo menos uma hora antes de dormir;
- Manter horários regulares para deitar e levantar, inclusive nos fins de semana;
- Evitar bebidas estimulantes, como café, chá preto e energéticos, no fim do dia;
- Diminuir a luz do ambiente à noite e buscar exposição à luz natural pela manhã;
- Criar um ritual relaxante antes de dormir, como leitura leve ou técnicas de respiração.
Quando essas medidas não são suficientes, uma avaliação médica pode identificar se há distúrbios do sono, problemas hormonais, condições psiquiátricas ou respiratórias envolvidas. Em alguns casos, terapias como acompanhamento psicológico, ajustes de rotina ou outros tratamentos específicos podem ser mais adequados do que o uso contínuo de melatonina.
Assim, a melatonina pode ter lugar em situações bem definidas, mas não deve ser tratada como solução universal ou totalmente inofensiva. O acompanhamento profissional, a atenção aos hábitos diários e a busca pela causa real da insônia são estratégias centrais para reduzir riscos e melhorar a qualidade do sono em longo prazo.