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Lipedema ou celulite? Entenda as diferenças, os sintomas e como tratar

Doença ainda é confundida com celulite

21 jul 2026 - 12h53
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Resumo
O lipedema, uma doença crônica que provoca acúmulo anormal de gordura, afeta milhões de mulheres e vai além de questões estéticas, com sintomas como dor e inchaço. Com maior conscientização, impulsionada por personalidades como Yasmin Brunet e Jojo Todynho, o diagnóstico e o tratamento precoce, incluindo opções cirúrgicas em casos avançados, têm possibilitado melhorar a qualidade de vida das pacientes.

Especialista detalha os principais sintomas, as formas de diagnóstico e o momento certo em que a cirurgia melhora a qualidade de vida das pacientes.

O lipedema tem ganhado mais visibilidade após relatos de mulheres famosas que receberam o diagnóstico da doença. Personalidades como Yasmin Brunet, Jojo Todynho e, mais recentemente, a atriz Bárbara Reis, que esteve no elenco de Três Graças, já falaram publicamente sobre o tema. Elas ajudam a ampliar o debate sobre uma condição que afeta milhões de mulheres, mas que as pessoas ainda confundem com excesso de peso, retenção de líquido ou até mesmo celulite.

Foto de Huha Inc. na Unsplash
Foto de Huha Inc. na Unsplash
Foto: Revista Malu

Caracterizado pelo acúmulo anormal e progressivo de gordura, principalmente nas pernas, quadris e, em alguns casos, nos braços, o lipedema costuma provocar sintomas que vão além da questão estética. Dor ao toque, sensação de peso nos membros, inchaço persistente e facilidade para desenvolver hematomas estão entre os sinais mais comuns.

Segundo a médica cirurgiã plástica Carine Barreto, um dos principais desafios é justamente o diagnóstico tardio. "Muitas pacientes passam anos acreditando que têm apenas gordura localizada, celulite ou dificuldade para emagrecer. No entanto, o lipedema é uma doença crônica que apresenta características próprias, como dor, sensibilidade aumentada e desproporção entre o tronco e os membros inferiores. Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores são as chances de controlar a progressão e melhorar a qualidade de vida", explica.

Diagnóstico

O diagnóstico é essencialmente clínico, realizado por meio da avaliação dos sintomas, histórico da paciente e exame físico. Em alguns casos, exames complementares podem ser solicitados para descartar outras condições com sintomas semelhantes.

Com a chegada das temperaturas mais baixas, muitas pacientes relatam alterações nos sintomas. De acordo com Carine, embora o inverno não provoque diretamente o surgimento da doença, ele pode influenciar o desconforto em algumas mulheres.

"Durante o inverno, é comum que algumas pacientes pratiquem menos atividade física e permaneçam mais tempo na mesma posição, o que pode contribuir para a sensação de peso e inchaço. Por outro lado, as temperaturas mais amenas também podem favorecer o uso de meias compressivas e melhorar o conforto de algumas pacientes", destaca.

O tratamento do lipedema envolve uma abordagem multidisciplinar, que pode incluir acompanhamento nutricional, prática regular de exercícios físicos, fisioterapia especializada, drenagem linfática e uso de terapias compressivas. Entretanto, em situações mais avançadas ou quando os sintomas comprometem significativamente a rotina da paciente, a cirurgia pode ser considerada.

"Quando há dor persistente, limitação funcional ou grande impacto na qualidade de vida, a cirurgia pode ser uma opção importante. O procedimento tem como objetivo remover a gordura doente, aliviar sintomas e melhorar a mobilidade da paciente. Porém, cada caso deve ser avaliado individualmente, pois o tratamento vai muito além da cirurgia", afirma a médica cirurgiã plástica Carine Barreto.

Lipedema não é celulite

Outro ponto que gera dúvidas é a diferença entre lipedema e celulite. Embora possam coexistir, as condições são distintas.

"A celulite é uma alteração estética relacionada à estrutura da pele e do tecido subcutâneo. Já o lipedema é uma doença que provoca acúmulo anormal de gordura associado a sintomas como dor e sensibilidade. Por isso, não devemos tratar as duas condições como sinônimos", esclarece a especialista.

A médica cirurgiã plástica ressalta que nem todas as pacientes diagnosticadas com lipedema necessitam de cirurgia. Em muitos casos, o tratamento clínico é suficiente para controlar os sintomas e retardar a progressão da doença.

"A indicação cirúrgica costuma acontecer quando a paciente apresenta dor frequente, limitação funcional, dificuldade para realizar atividades do dia a dia ou quando os tratamentos conservadores não proporcionam a melhora esperada. A cirurgia não deve ser vista apenas como um procedimento estético, mas como uma ferramenta terapêutica para melhorar a qualidade de vida em casos selecionados", explica.

A maior conscientização sobre o tema tem contribuído para que mais mulheres procurem avaliação médica especializada, reduzindo anos de sofrimento e frustração decorrentes de diagnósticos incorretos. O conhecimento sobre os sintomas e a busca por orientação adequada continuam sendo os principais aliados para o reconhecimento precoce da doença.

Revista Malu Revista Malu
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