Lipedema ou celulite? Entenda as diferenças, os sintomas e como tratar
Doença ainda é confundida com celulite
O lipedema, uma doença crônica que provoca acúmulo anormal de gordura, afeta milhões de mulheres e vai além de questões estéticas, com sintomas como dor e inchaço. Com maior conscientização, impulsionada por personalidades como Yasmin Brunet e Jojo Todynho, o diagnóstico e o tratamento precoce, incluindo opções cirúrgicas em casos avançados, têm possibilitado melhorar a qualidade de vida das pacientes.
Especialista detalha os principais sintomas, as formas de diagnóstico e o momento certo em que a cirurgia melhora a qualidade de vida das pacientes.
O lipedema tem ganhado mais visibilidade após relatos de mulheres famosas que receberam o diagnóstico da doença. Personalidades como Yasmin Brunet, Jojo Todynho e, mais recentemente, a atriz Bárbara Reis, que esteve no elenco de Três Graças, já falaram publicamente sobre o tema. Elas ajudam a ampliar o debate sobre uma condição que afeta milhões de mulheres, mas que as pessoas ainda confundem com excesso de peso, retenção de líquido ou até mesmo celulite.
Caracterizado pelo acúmulo anormal e progressivo de gordura, principalmente nas pernas, quadris e, em alguns casos, nos braços, o lipedema costuma provocar sintomas que vão além da questão estética. Dor ao toque, sensação de peso nos membros, inchaço persistente e facilidade para desenvolver hematomas estão entre os sinais mais comuns.
Segundo a médica cirurgiã plástica Carine Barreto, um dos principais desafios é justamente o diagnóstico tardio. "Muitas pacientes passam anos acreditando que têm apenas gordura localizada, celulite ou dificuldade para emagrecer. No entanto, o lipedema é uma doença crônica que apresenta características próprias, como dor, sensibilidade aumentada e desproporção entre o tronco e os membros inferiores. Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores são as chances de controlar a progressão e melhorar a qualidade de vida", explica.
Diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico, realizado por meio da avaliação dos sintomas, histórico da paciente e exame físico. Em alguns casos, exames complementares podem ser solicitados para descartar outras condições com sintomas semelhantes.
Com a chegada das temperaturas mais baixas, muitas pacientes relatam alterações nos sintomas. De acordo com Carine, embora o inverno não provoque diretamente o surgimento da doença, ele pode influenciar o desconforto em algumas mulheres.
"Durante o inverno, é comum que algumas pacientes pratiquem menos atividade física e permaneçam mais tempo na mesma posição, o que pode contribuir para a sensação de peso e inchaço. Por outro lado, as temperaturas mais amenas também podem favorecer o uso de meias compressivas e melhorar o conforto de algumas pacientes", destaca.
O tratamento do lipedema envolve uma abordagem multidisciplinar, que pode incluir acompanhamento nutricional, prática regular de exercícios físicos, fisioterapia especializada, drenagem linfática e uso de terapias compressivas. Entretanto, em situações mais avançadas ou quando os sintomas comprometem significativamente a rotina da paciente, a cirurgia pode ser considerada.
"Quando há dor persistente, limitação funcional ou grande impacto na qualidade de vida, a cirurgia pode ser uma opção importante. O procedimento tem como objetivo remover a gordura doente, aliviar sintomas e melhorar a mobilidade da paciente. Porém, cada caso deve ser avaliado individualmente, pois o tratamento vai muito além da cirurgia", afirma a médica cirurgiã plástica Carine Barreto.
Lipedema não é celulite
Outro ponto que gera dúvidas é a diferença entre lipedema e celulite. Embora possam coexistir, as condições são distintas.
"A celulite é uma alteração estética relacionada à estrutura da pele e do tecido subcutâneo. Já o lipedema é uma doença que provoca acúmulo anormal de gordura associado a sintomas como dor e sensibilidade. Por isso, não devemos tratar as duas condições como sinônimos", esclarece a especialista.
A médica cirurgiã plástica ressalta que nem todas as pacientes diagnosticadas com lipedema necessitam de cirurgia. Em muitos casos, o tratamento clínico é suficiente para controlar os sintomas e retardar a progressão da doença.
"A indicação cirúrgica costuma acontecer quando a paciente apresenta dor frequente, limitação funcional, dificuldade para realizar atividades do dia a dia ou quando os tratamentos conservadores não proporcionam a melhora esperada. A cirurgia não deve ser vista apenas como um procedimento estético, mas como uma ferramenta terapêutica para melhorar a qualidade de vida em casos selecionados", explica.
A maior conscientização sobre o tema tem contribuído para que mais mulheres procurem avaliação médica especializada, reduzindo anos de sofrimento e frustração decorrentes de diagnósticos incorretos. O conhecimento sobre os sintomas e a busca por orientação adequada continuam sendo os principais aliados para o reconhecimento precoce da doença.
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