Infecção faz modelo perder partes dos pés e mãos
Por causa de uma infecção urinária que demorou a ser diagnosticada, a modelo capixaba Mariana Bridi da Costa, de 20 anos, acabou sofrendo amputação das mãos e dos pés, após infecção generalizada.
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O drama da modelo, que duas vezes foi finalista do Miss Mundo Brasil, está comovendo o Espírito Santo, onde amigos e parentes buscam doadores de sangue, pedem que orem pela jovem e até já recolhem doações para a compra de eventuais próteses.
Depois de perder parte dos membros inferiores, semana passada, terça-feira foram amputadas partes dos superiores. A modelo está quase todo o tempo sedada e nas últimas horas respira por aparelhos, mas teve momentos de consciência desde a internação. Na última vez em que se comunicou, soube que perderia as mãos.
Mesmo sendo seu estado de saúde considerado muito grave, a esperança é que Mariana volte a ter vida normal. "Ela responde através de piscadas dos olhos. Perguntamos e ela responde. Estamos falando que ela precisa ser forte e orar, e ela mostra que compreende", afirmou o namorado da modelo, o consultor de vendas Thiago Simões, 29 anos.
A doença começou a se manifestar dia 30, segundo Thiago. Depois de sentir dores, a modelo foi a um hospital público de Vila Velha, onde o caso foi diagnosticado como cólica renal. Apesar de terem sido pedidos dois exames, eles não foram feitos devido ao período de festas. "Era fim de noite, e o setor do hospital que faria os exames estava fechado.Disseram que teriam que ser feitos em outro dia e horário", conta o namorado. Foram receitados remédios que aliviaram o quadro, mas já no dia 2 as dores voltaram. Após passar por duas unidades, uma pública e outra particular, a modelo foi parar no dia seguinte na UTI do Hospital Estadual Dório Silva, em Serra. O exame de urina indicou infecção urinária. Desde então, sua saúde piorou.
Segundo nota da Secretaria Estadual de Saúde, o quadro de saúde da paciente foi agravado "com insuficiência renal aguda, com compressão dos vasos sanguíneos periféricos e com necrose das mãos e pés, causados pelo quadro de septicemia (infecção generalizada)".
Por causa da hemodiálise, Mariana precisa de doadores de sangue. Campanhas estimulando doadores de tipo 'O' negativo estão sendo feitas. Por conta do alto custo das próteses, amigos já tentam arrecadar dinheiro para o material, pensando na recuperação dela. "Ela é muito querida, e cada um está ajudando com o que pode", disse Thiago. A reabilitação, entretanto, teria que ser feita em hospital especializado fora do estado.
Mariana tem planos de ser jornalista e em abril disputaria concurso de modelos em São Paulo. Ela foi finalista do Miss Mundo Brasil em 2006 e em 2007.
Ex-jogador pede solidariedade
Capixaba, o ex-jogador do Vasco Geovani se engajou à campanha para conseguir doações de sangue para Mariana. O tipo dela é raro: 'O' negativo. "Faço um apelo a todos que tiverem o tipo sanguíneo compatível com o dela. Peço que se solidarizem e procurem o Hemoe, em Vitória, através do telefone (27) 3137-2444", disse Geovani.
O ex-ídolo do Vasco voltou a andar após ser desenganado pelos médicos em 2007, quando sofreu polineurite, doença que resulta em fraqueza muscular e evolui para perda motora. Religioso, ele disse que já entrou em contato com a família da modelo. "Dei a eles o meu exemplo. Pedi que eles se apegassem a Deus. Eu também não tinha cura e acabei me recuperando graças à fé em Cristo", afirmou.
Geovani também espera que a população do Espírito Santo e do Brasil se mobilize numa corrente de fé em intenção à modelo. "A Mariana está passando por um drama que comoveu a todos. Ela é uma menina linda, trabalhadora, que de repente viu todos os seus sonhos se esvaírem por culpa de uma infecção generalizada", lamentou o ex-jogador.
Bactéria causa infecção
A bactéria Pseudomonas aeroginosa pode causar infecção em vários sistemas, inclusive urinário. A infecção generalizada é mais comum em idosos e crianças, mas também pode atacar jovens com predisposição.
Esse microorganismo está entre os principais agentes causadores de infecções hospitalares em todo o mundo. O infectologista Artur Timerman, do Hospital Professor Edmundo Vasconcelos, em São Paulo, acredita que a modelo tenha sido contaminada na hora de fazer os exames na primeira vez em que esteve no hospital.
"É muito comum a Pseudomonas aeroginosa estar associada à infecção hospitalar, geralmente por falta de higiene no ambiente. Ela é transmitida pelo manuseio, ou seja, é provável que a modelo tenha adquirido-a na hora de fazer os exames", afirma.
Timerman explica que não é comum ocorrer amputação dos quatro membros por causa do Pseudomonas. "A infecção reduz a pressão do sangue, e como conseqüência, os membros das extremidades ficam pouco irrigados, o que causa pequena trombose", diz.
Segundo a infectologista Clarisse Pimentel, do Hospital Badim, na Tijuca, no caso da modelo a infecção evoluiu para um quadro grave de infecção generalizada comprometendo a circulação e os membros externos.
Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), não há registro de surtos pela bactéria no País.