Infarto silencioso: veja os exames que podem detectar a condição antes dos sintomas
Um infarto silencioso é uma condição cardiológica que pode ser grave ou até fatal quando não recebe a devida prevenção e tratamento. Veja os exames que podem detectar a condição.
O caso do humorista pernambucano Abdias Melo chamou atenção para uma condição que pode passar despercebida até mesmo por quem acredita estar bem de saúde.
Radicado nos Estados Unidos, o artista descobriu um princípio de infarto após realizar exames de rotina, mesmo sem sentir dor, falta de ar ou qualquer outro sintoma típico de problemas cardíacos.
Segundo o relato do humorista, a descoberta aconteceu após uma amiga médica recomendar que ele realizasse um check-up. Abdias estava há cerca de dois anos sem fazer exames. Depois da coleta de sangue, ele recebeu uma ligação urgente orientando que procurasse imediatamente um hospital.
A situação levantou uma dúvida comum: como um infarto pode ser identificado antes mesmo de provocar sintomas?
O que é um infarto silencioso?
O infarto silencioso é um tipo de ataque cardíaco, que ocorre sem os sintomas típicos associados a um infarto clássico. Muitos pacientes que sofrem um infarto silencioso podem não perceber que tiveram um problema cardíaco, pois os sintomas são sutis ou inexistentes.
Esse tipo de infarto é particularmente perigoso porque a falta de sintomas visíveis pode levar ao atraso no diagnóstico e tratamento, aumentando o risco de complicações graves ou até fatais.
Conheça as principais diferenças entre um infarto silencioso e um infarto com sintomas clássicos:
Sintomas
No caso de um infarto silencioso, os sintomas são leves ou ausentes e, por isso, são frequentemente confundidos com outras condições menos graves, como indigestão ou estresse. Quando presentes, os sintomas podem incluir:
- desconforto leve no peito;
- fadiga inexplicável;
- dor leve nas costas, mandíbula ou braço esquerdo;
- náuseas.
Já no caso de um infarto com sintomas clássicos, os sintomas são intensos e imediatos, como:
- dor ou pressão severa no peito;
- dor forte irradiando para o braço esquerdo, mandíbula, pescoço ou costas;
- suor excessivo;
- falta de ar;
- tontura;
- desmaios.
Por isso, o diagnóstico costuma acontecer apenas durante exames de rotina ou investigações realizadas por outros motivos.
Quais exames podem detectar o problema?
Especialistas destacam que alguns exames conseguem identificar lesões cardíacas ou fatores de risco antes que um evento mais grave aconteça.
Exames de sangue
Foram justamente exames laboratoriais que levaram à descoberta do quadro de Abdias Melo. Marcadores como troponina e CK-MB podem indicar lesão no músculo cardíaco e são amplamente utilizados na investigação de infartos.
Eletrocardiograma (ECG)
É um dos exames mais conhecidos da cardiologia. Ele registra a atividade elétrica do coração e pode apontar alterações compatíveis com infartos recentes ou antigos.
Ecocardiograma
Utilizando ultrassom, o exame avalia o funcionamento do coração e consegue identificar áreas que sofreram danos ou perderam capacidade de contração.
Ressonância magnética cardíaca
Considerada uma das ferramentas mais precisas para avaliação do músculo cardíaco, permite identificar cicatrizes e sequelas deixadas por infartos anteriores.
Tomografia cardíaca
Ajuda a detectar placas de gordura e cálcio nas artérias coronárias, permitindo avaliar o risco de eventos cardiovasculares futuros.
Angiografia coronariana
Conhecida popularmente como cateterismo, é utilizada para visualizar obstruções nas artérias que irrigam o coração.
Exame simples pode indicar risco futuro
Além dos exames tradicionais, cardiologistas vêm chamando atenção para a dosagem da Lipoproteína(a), conhecida como Lp(a).
Segundo o cardiologista esportivo Fernando Ludwig, a substância possui forte influência genética e pode indicar um risco aumentado para infarto e AVC, mesmo em pessoas que mantêm hábitos saudáveis.
Quando os níveis estão elevados, os especialistas recomendam atenção redobrada ao colesterol, pressão arterial, peso corporal e outros fatores de risco cardiovascular.
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Quem deve fazer acompanhamento?
Pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado, histórico familiar de doenças cardíacas, obesidade ou tabagismo devem manter acompanhamento médico regular.
O próprio Abdias revelou que havia parado de fumar poucos dias antes da descoberta do problema e aproveitou a experiência para deixar um alerta aos seguidores.
"Façam check-up", aconselhou.
A recomendação dos especialistas é semelhante: exames periódicos podem identificar alterações precocemente e aumentar as chances de evitar complicações graves. Afinal, quando se trata de infarto, o tempo continua sendo um dos fatores mais importantes para salvar vidas.
Informações médicas com base em orientações da Clínica Átrios e do cardiologista esportivo Fernando Ludwig.
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