Incontinência urinária: por que o problema é mais comum na menopausa
Queda hormonal e perda de colágeno são os principais vilões; saiba como tratar o desconforto que afeta a autoestima feminina
Amanhã, 14 de março, é o Dia Mundial da Incontinência Urinária. A data serve de alerta para um problema que afeta milhares de mulheres, mas que ainda é cercado de tabus.
Muitas pacientes acreditam que perder urina na maturidade é "normal". Porém, a medicina afirma: o escape involuntário tem tratamento e não deve ser aceito como parte natural do envelhecimento.
Por que a incontinência urinária piora na menopausa?
A relação entre o fim do ciclo reprodutivo e a bexiga é direta. Segundo o Dr. Igor Padovesi, ginecologista e autor do livro "Menopausa Sem Medo", a queda hormonal é a grande culpada. Com a diminuição do estrogênio, o corpo perde colágeno rapidamente.
Essa perda de proteína causa flacidez nos tecidos de sustentação da região pélvica. A uretra feminina já é naturalmente curta.
Sem o suporte adequado dos músculos e ligamentos, a bexiga perde a capacidade de segurar a urina com eficiência. O resultado são os escapes que tanto incomodam a rotina.
"De tão comum, muitas mulheres acreditam que a incontinência urinária é um problema natural na menopausa com o qual elas precisam se acostumar a conviver. É comum que ocorram limitações na rotina e algumas até evitem algumas atividades em decorrência dos sintomas", explica o médico.
Os dois tipos principais de incontinência
Nem toda perda de urina é igual. Identificar o seu tipo é o primeiro passo para um tratamento de sucesso.
1. Incontinência de urgência
É aquela vontade súbita e incontrolável de ir ao banheiro. Muitas vezes, o escape acontece antes mesmo de a mulher chegar ao vaso. Esse quadro é conhecido como síndrome da bexiga hiperativa.
O músculo da bexiga contrai de forma involuntária. Hoje, existem medicamentos modernos para controlar esses espasmos sem os efeitos colaterais de antigamente.
2. Incontinência de esforço
Neste caso, a urina escapa durante atividades físicas. Tossir, espirrar, pular ou carregar peso gera pressão no abdômen.
Se os músculos do assoalho pélvico estiverem fracos, eles não conseguem fechar a uretra. Esse tipo está muito ligado à genética, ao número de partos e ao esforço físico acumulado.
Como tratar e recuperar a confiança
A boa notícia é que a incontinência urinária na menopausa tem solução. O tratamento varia desde mudanças de hábito até procedimentos tecnológicos.
-
Fisioterapia pélvica: É o padrão ouro para o fortalecimento. Exercícios específicos ajudam a devolver a força aos músculos da região. É como uma "musculação" para o períneo.
-
Rejuvenescimento íntimo: Tecnologias como laser e radiofrequência estimulam o colágeno local. São excelentes para casos leves e moderados.
-
Cirurgia de sling: Para casos que não respondem à fisioterapia, a cirurgia é simples e segura. Uma pequena fita sintética é colocada para dar suporte à uretra, resolvendo o problema de forma definitiva.
Não sofra em silêncio
A perda urinária causa desconforto emocional e pode levar ao isolamento social. Ao notar os primeiros sintomas, procure um ginecologista. O diagnóstico correto permite um tratamento individualizado e eficaz.