Grupo de apoio alivia agonia no tratamento de fertilidade
Os casais que sofrem com problemas de fertilidade muitas vezes têm a sensação de que o mundo é fértil, menos eles. Esse peso pode ser aliviado compartilhando a dor de não conseguir engravidar com pessoas que passam pelos mesmos problemas. Em um tratamento que leva a dúvidas e temores, o grupo de apoio pode trazer benefícios.
Os encontros podem ajudar o casal a eliminar a ideia de que são os únicos a enfrentarem essas dificuldades. Segundo a Organização Mundial da Saúde, entre 8% e 15% dos casais em idade reprodutiva têm algum problema de fertilidade. "As pessoas não se sentem sozinhas ou únicas. É uma troca de experiência riquíssima", afirma Liliana Seger, psicóloga e doutora em reprodução humana, de São Paulo.
Pensando nisso, Liliana já organizou diversos grupos de apoio multidisciplinares. "A reação é excelente. Elas trocam experiências, se sentem entendidas e aprendem a lidar com a dor. Quanto mais conhecimento essas pacientes têm, melhor. Quanto mais troca de sentimentos, melhor", diz a psicóloga.
Mais informações
O grupo também pode servir como um apoio para se obter mais informações sobre o problema. Muitos contam com visitas de médicos, enfermeiros ou até mesmo acupunturistas, que podem explicar dúvidas que muitos casais têm vergonha de perguntar. Além disso, a presença de um psicólogo para intermediar a conversa evita desinformações. "É preciso que seja um especialista, que entenda as fases pelas quais o casal vai passar", acrescenta Liliana.
O dinamismo também é uma característica importante. "Esse tipo de grupo costuma ser aberto. Sempre pode entrar alguém novo. Há pessoas em situações diferentes. Algumas estão pensando em desistir; outras, em começar", aponta Liliana.
Para ela, a troca é a grande vantagem em relação à terapia particular. "O grupo é mais eficiente, barato e atende mais gente", comenta.
Para ela, todos podem se beneficiar do grupo de apoio, mesmo os mais tímidos. "Tem muitas pessoas que vêm para o grupo e ficam quietas, ou não falam o nome. Depois de um tempo, começam a falar mais", conta. "Sempre é benéfico. As pessoas têm que se dar uma chance de conhecer o grupo", afirma.
O mais importante é não ter medo de compartilhar as emoções, diz a psicóloga. "Há pessoas que não querem chegar perto da questão emocional. Elas acham que, se falar, vão piorar. Vem uma culpa, porque acham que você não se permite engravidar porque está instável. Mas os aspectos emocionais aparecem como consequência da dificuldade, não causa", explica.
Grupos na internet
A dinâmica do grupo de apoio é reproduzida em diversos fóruns da internet. "Com a internet, as pessoas têm mais acesso à informação. Embora tenha seus problemas, é muito melhor do que não ter", analisa. Segundo ela, mesmo os grupos não moderados, ou seja, em que os casais trocam ideias sem a intermediação de um profissional de saúde, podem trazer benefícios. "Como é um grupo, e há muitas pessoas falando, isso dilui o negativo", acredita a psicóloga. "Se tiver um profissional intermediando, melhor. Se não tiver, pode ainda existir. Todos são válidos", afirma.
Os grupos online também têm a vantagem de serem gratuitos e poderem reunir pessoas de diferentes localidades. Pessoas que têm vergonha de participar de grupos de apoio tradicionais também podem se beneficiar do anonimato da internet.
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