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Grandes eventos e enxaqueca: especialistas alertam para gatilhos

Mudanças na rotina contribuem para as dores

13 jun 2026 - 11h27
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Resumo
As grandes competições esportivas podem ser um prato cheio para quem sofre de enxaqueca. Ansiedade, mudanças na rotina, barulho e alimentação desregrada são só alguns gatilhos citados pela neurologista Thais Villa. Mas calma! 🧘‍♀️ Com diagnóstico correto e tratamento adequado, é possível controlar os sintomas e garantir uma vida sem dores constantes.

Especialista alerta para a soma de gatilhos emocionais, comportamentais e ambientais em períodos de grandes competições esportivas

Às vésperas da maior competição de futebol do mundo, vários fatores comuns aos grandes eventos podem funcionar como gatilhos para enxaqueca em pessoas suscetíveis. O estresse emocional causado pela ansiedade antes dos jogos, a tensão durante as partidas e até mesmo a "queda" da euforia após o apito final, podem desencadear crises em pessoas que não estão com a doença controlada.

Freepik
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Foto: Revista Malu

Alterações na rotina, especialmente nos padrões de sono, ocasionadas por ficar acordado até tarde para assistir aos jogos, o consumo de bebidas alcoólicas, frequentemente associado a celebrações, e de alimentos potencialmente estimulantes, como embutidos, produtos ultraprocessados e itens que contêm determinados aditivos alimentares, também podem favorecer as crises de enxaqueca.

Além disso, o barulho intenso da torcida, a exposição prolongada a telas e os estímulos visuais produzidos pelas luzes brilhantes e piscantes dos telões aumentam a sensibilidade de pessoas que já têm o cérebro hiperexcitado, característico da enxaqueca.

Alimentação influencia

Pular refeições ou se alimentar em horários irregulares, um hábito comum quando a atenção está voltada para os jogos, também pode favorecer o desencadeamento de crises. Outro fator importante é a desidratação, que pode ocorrer tanto pela ingestão insuficiente de água quanto pelo consumo de bebidas alcoólicas, frequentemente presentes em encontros e celebrações relacionados às partidas.

A neurologista Thais Villa, especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, explica que essas situações podem ser particularmente problemáticas para quem sofre com a doença, mesmo quando cada fator, isoladamente, não costuma ser suficiente para desencadear sintomas.

A médica destaca ainda um fenômeno conhecido como "dor de cabeça de fim de estresse" (let-down headache), em que as crises não surgem durante o período de maior tensão emocional, mas logo depois, quando ocorre uma queda dos níveis de excitação e alerta do organismo.

"É importante lembrar que os gatilhos variam bastante entre os indivíduos. O que desencadeia crises em uma pessoa pode não ter efeito em outra", ressalta.

Tem tratamento

A enxaqueca é uma condição neurológica complexa, incapacitante e muitas vezes invisível. Para milhões de pessoas no mundo, grandes eventos sempre foram sinônimo de risco, afastamento e limitação porque passaram a vida toda sem o diagnóstico e tratamento adequados. A enxaqueca não tem cura mas, controlada, possibilita ao paciente viver sem dores de cabeça e outros sintomas associados, ampliando, de forma significativa, a qualidade de vida.

Para o controle eficaz da doença, Thais recomenda uma abordagem multidisciplinar e integrada, que combina acompanhamento médico especializado com mudanças consistentes na rotina e no estilo de vida do paciente. "O Tratamento 360º, que respeita as particularidades de cada paciente e utiliza recursos modernos como a toxina botulínica, é o que há de mais moderno no manejo da enxaqueca. A aplicação da substância nos nervos envolvidos bloqueia a liberação de mediadores químicos responsáveis pela transmissão da dor e da inflamação, assim reduzindo a excitabilidade cerebral. Outro recurso são os anti-CGRP, medicamentos injetáveis com anticorpos monoclonais que têm se mostrado altamente eficazes no controle da doença", detalha a médica.

Revista Malu Revista Malu
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