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Glaucoma congênito, como no caso de Andrea Bocelli: como identificar a doença que pode levar à cegueira

Glaucoma congênito é uma condição que atinge os olhos de bebês e crianças pequenas, frequentemente nos primeiros anos de vida. Conheça a doença que afeta o tenor italiano Andrea Bocelli.

22 jan 2026 - 14h01
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Glaucoma congênito é uma condição que atinge os olhos de bebês e crianças pequenas, frequentemente nos primeiros anos de vida. Ele pode comprometer de forma definitiva a visão se não for identificada e tratada rapidamente. Afinal, trata-se de um problema silencioso em muitos casos. Por isso, familiares e profissionais de saúde têm papel central na observação de sinais discretos. Em conjunto, eles podem indicar alteração na pressão interna do olho. Porém, como ocorre em uma fase em que a criança ainda não consegue descrever o que sente, a atenção aos detalhes costuma fazer diferença.

A doença é rara, mas o impacto na qualidade de vida ao longo das décadas é significativo. O glaucoma congênito pode afetar apenas um olho ou os dois. E mesmo quando há tratamento, a visão eventualmente preservada depende bastante do tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico. Em alguns casos, há histórico familiar de problemas oculares, o que aumenta o nível de atenção dos responsáveis. Em outros, o primeiro alerta parte do pediatra ou do oftalmopediatra em consultas de rotina.

O glaucoma congênito caracteriza-se pelo aumento da pressão intraocular em decorrência de uma alteração nas vias de drenagem do humor aquoso – depositphotos.com / rossandhelen
O glaucoma congênito caracteriza-se pelo aumento da pressão intraocular em decorrência de uma alteração nas vias de drenagem do humor aquoso – depositphotos.com / rossandhelen
Foto: Giro 10

O que é o glaucoma congênito e por que ele é tão preocupante?

O glaucoma congênito caracteriza-se pelo aumento da pressão intraocular em decorrência de uma alteração nas vias de drenagem do humor aquoso. Trata-se do líquido que circula na parte anterior do olho. Quando essa drenagem não funciona adequadamente, a pressão sobe e começa a danificar o nervo óptico, estrutura responsável por levar as informações visuais ao cérebro. Em muitos casos, esse dano é progressivo e irreversível.

Diferentemente de formas de glaucoma que aparecem em adultos, o glaucoma congênito ocorre em uma fase em que o globo ocular ainda está em desenvolvimento. Por isso, o aumento da pressão pode provocar alterações no formato e no tamanho do olho, além de mudanças na transparência da córnea. Ademais, a preocupação é maior porque a criança está em plena fase de formação das conexões visuais no cérebro. Assim, qualquer interrupção prolongada desse estímulo compromete o desenvolvimento da visão de maneira permanente.

Glaucoma congênito em bebês: quais sinais podem chamar a atenção?

Como os bebês não conseguem relatar dor ou visão embaçada, o reconhecimento do glaucoma congênito em crianças depende da observação de sintomas visíveis e de mudanças no comportamento. Assim, entre os sinais mais relatados por famílias e profissionais de saúde estão:

  • Aumento do tamanho do olho (olhos "grandes" ou assimétricos entre si);
  • Córnea embaçada, com aspecto fosco ou esbranquiçado, em vez de transparente;
  • Lacrimejamento constante, mesmo quando o bebê não está chorando;
  • Intensa sensibilidade à luz, levando o bebê a fechar os olhos ou virar o rosto;
  • Irritabilidade e choro ao entrar em ambientes claros.

Em alguns casos, o olho pode parecer maior do que o habitual, quadro que tem o nome de buftalmo. Ademais, a família também pode notar que a criança esfrega os olhos com frequência, sinal possível de desconforto. Portanto, qualquer combinação desses sintomas, especialmente se persistente, costuma ser motivo suficiente para avaliação com um oftalmopediatra ou oftalmologista experiente em atendimento infantil.

Como é feito o diagnóstico e qual o papel dos exames oftalmológicos?

O diagnóstico do glaucoma congênito exige avaliação especializada. Na consulta, o oftalmologista examina a aparência externa dos olhos, a transparência da córnea, o tamanho do globo ocular e a reação da pupila à luz. Ademais, em bebês muito pequenos, pode haver a realização de exames sob sedação leve ou anestesia para medir com precisão a pressão intraocular e observar o nervo óptico.

Entre os procedimentos utilizados estão:

  1. Tonometrias para aferir a pressão dentro do olho;
  2. Exame da córnea, avaliando espessura, diâmetro e transparência;
  3. Fundoscopia para analisar o aspecto do nervo óptico;
  4. Exames de imagem, quando necessários, para complementar a avaliação.

Em muitos países, exames oftalmológicos em recém-nascidos de risco e em consultas regulares de puericultura já fazem parte da rotina. Isso aumenta as chances de detecção precoce. Afinal, quanto mais cedo identifica-se o glaucoma congênito, maiores são as possibilidades de preservar parte significativa da visão com cirurgia e acompanhamento ao longo de toda a infância.

Glaucoma congênito é uma condição que atinge os olhos de bebês e crianças pequenas, frequentemente nos primeiros anos de vida – depositphotos.com / barselona_dreams
Glaucoma congênito é uma condição que atinge os olhos de bebês e crianças pequenas, frequentemente nos primeiros anos de vida – depositphotos.com / barselona_dreams
Foto: Giro 10

Qual é a relação entre glaucoma e a história de Andrea Bocelli?

O caso do tenor italiano Andrea Bocelli costuma ser citado em discussões sobre doenças oculares na infância por unir dois fatores: uma condição visual importante desde cedo e um episódio traumático que resultou na perda total da visão. Bocelli nasceu com problemas oculares graves, incluindo um quadro de glaucoma que comprometeu a visão desde os primeiros meses de vida. Por isso, cresceu com baixa visão e dependia de recursos de adaptação para acompanhar atividades do dia a dia.

Na adolescência, por volta dos 12 anos, sofreu um acidente durante uma partida de futebol. Um choque na cabeça provocou uma hemorragia cerebral, que se estendeu às estruturas relacionadas à visão. Esse sangramento e suas consequências neurológicas levaram à cegueira completa. Assim, a história do tenor combina uma condição pré-existente, relacionada ao glaucoma infantil, com um evento agudo que selou a perda visual definitiva.

A trajetória de Bocelli é frequentemente lembrada para ilustrar como doenças oculares de início precoce podem influenciar a vida de uma pessoa desde a infância, exigindo acompanhamento regular, adaptações e, em muitos casos, apoio multidisciplinar. No contexto do glaucoma congênito, o exemplo reforça a importância da detecção rápida de alterações visuais e da proteção dos olhos de crianças e adolescentes contra traumas.

Por que o reconhecimento precoce do glaucoma congênito é essencial?

O prognóstico do glaucoma congênito está diretamente ligado ao tempo de resposta. Quando o diagnóstico é feito logo nos primeiros sinais e o tratamento cirúrgico é realizado por equipes especializadas, as chances de preservar a visão são maiores. Já em quadros identificados tardiamente, o dano ao nervo óptico tende a ser mais extenso, o que limita a recuperação visual, mesmo com intervenções adequadas.

Esse cenário reforça a importância de alguns cuidados:

  • Manter consultas oftalmológicas de rotina na infância, especialmente em bebês com histórico familiar;
  • Observar mudanças no comportamento visual, como aproximação excessiva de objetos ou rejeição à luz;
  • Buscar avaliação rápida em caso de olhos aumentados, córnea embaçada ou lacrimejamento constante;
  • Seguir rigorosamente as orientações médicas após o diagnóstico, incluindo uso de colírios e retornos regulares.

Ao longo da vida, crianças com glaucoma congênito geralmente seguem em acompanhamento contínuo, pois a pressão intraocular e a integridade do nervo óptico precisam ser monitoradas. A informação clara para familiares e cuidadores, aliada ao acesso a serviços de saúde especializados, tende a reduzir o risco de perda visual severa e a favorecer um desenvolvimento mais autônomo dessas crianças em idade escolar e na vida adulta.

Giro 10
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