Exames de sangue podem prever o início dos sintomas de Alzheimer com anos de antecedência
07 de agosto de 2026 (Bibliomed). Prever o início da doença de Alzheimer pode ser crucial tanto para ensaios clínicos quanto para a prática clínica, oferecendo uma janela significativa para intervenção. Os métodos atuais para ajudar a prever o início da doença de Alzheimer geralmente incluem exames de imagem cerebral ou testes do líquido cefalorraquidiano. No entanto, esses testes podem ser caros e de difícil acesso.
Exames de sangue podem oferecer uma opção mais viável como modelo preditivo, mas historicamente têm sido menos precisos do que outras opções. Agora, um estudo realizado na Universidade de Washington em St. Louis, nos Estados Unidos, desenvolveu um modelo baseado em análises sanguíneas que estima quando os sintomas de Alzheimer provavelmente começarão, com uma margem de erro de cerca de 3 a 4 anos.
Os pesquisadores se concentraram em uma proteína chamada p-tau217, encontrada no plasma sanguíneo, e que já é conhecida por refletir o acúmulo anormal de proteínas amiloides e tau no cérebro, características da doença de Alzheimer.
O estudo envolveu 603 adultos mais velhos, mediram o p-tau217 plasmático e o compararam com avaliações clínicas longitudinais, o que revelou forte relação entre o aumento dos níveis sanguíneos da proteína e o desenvolvimento posterior de sintomas cognitivos.
Os resultados mostraram que os níveis de p-tau217 aumentam na corrente sanguínea de forma consistente à medida que a patologia da doença de Alzheimer se desenvolve. Ao medir a proteína p-tau217 e integrar esses resultados em um modelo estatístico, a equipe de pesquisa conseguiu estimar a idade provável de início dos sintomas cognitivos, com uma margem de erro de 3 a 4 anos.
As proteínas amiloide e tau se acumulam de forma previsível no cérebro ao longo do tempo. Os pesquisadores afirmam que esse padrão consistente se assemelha aos anéis de crescimento das árvores. Da mesma forma que é possível determinar a idade de uma árvore a partir de seus anéis, os pesquisadores podem usar os níveis plasmáticos de p-tau217 como um "relógio" para prever com precisão quando alguém desenvolverá sintomas de Alzheimer.
Fonte: Nature Medicine. DOI: 10.1038/s41591-026-04206-y.
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