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Esposa de Calvin Harris adere à ingestão de placenta; médicos alertam para riscos e falta de benefícios

Sem comprovação científica, prática popularizada por celebridades pode expor mães a infecções e complicações no pós-parto

7 ago 2025 - 04h59
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Vick Hope durante o parto caseiro
Vick Hope durante o parto caseiro
Foto: Reprodução/Instagram/Calvin Harris

A ingestão da placenta após o parto, também conhecida como placentofagia, tem ganhado espaço entre mães recentes, em especial após a divulgação de celebridades que adotaram a prática, como a esposa de Calvin Harris, Vick Hope, que deu à luz na última segunda-feira, 4.

O gesto, visto por algumas mulheres como símbolo de conexão com o nascimento ou um reforço para a saúde no pós-parto, divide opiniões entre o senso comum e a medicina baseada em evidências. Afinal, comer placenta faz bem ou oferece riscos?

Tradição animal e moda humana

No reino animal, comer a própria placenta logo após o parto é um comportamento comum entre mamíferos. Cientistas explicam que isso pode ter motivações de sobrevivência, como eliminar rastros de cheiro que atraiam predadores e repor nutrientes perdidos.

Entre humanos, a prática ganhou força nos últimos anos, especialmente no formato de cápsulas ou receitas caseiras que vão de vitaminas a pratos cozidos. O consumo, no entanto, ocorre sem respaldo da medicina convencional e preocupa profissionais da saúde.

O que diz a ciência?

Apesar das promessas de aumento da energia, prevenção da depressão pós-parto e estímulo à produção de leite materno, não existem estudos científicos robustos que comprovem qualquer benefício da ingestão da placenta. 

Uma das análises mais conhecidas, feita pela Faculdade de Medicina da Universidade de Northwestern (EUA), em Chicago, concluiu que não há evidência clínica que comprove efeitos positivos. Os pesquisadores não encontraram nenhuma evidência de que comer a placenta, seja crua, cozida ou em cápsulas, traga benefícios no pós-parto.

De acordo com o resultado, a prática não previne a depressão, não aumenta a disposição, não estimula a amamentação, não melhora a elasticidade da pele, nem fortalece o vínculo entre mãe e bebê. Também não há comprovação de que ajude na reposição de ferro no organismo.

Riscos para a saúde

Embora a placenta seja rica em ferro, hormônios e outros compostos, ela também pode conter toxinas, bactérias e vírus. Pesquisadores mexicanos destacam que o principal risco está na forma como o órgão é armazenado e preparado para consumo, sem controle sanitário ou protocolos de esterilização seguros, desencadeando transmissões de vírus, como HIV, Hepatite A e Zika vírus.

Em 2017, um bebê nos Estados Unidos foi infectado após a mãe consumir cápsulas de placenta contaminadas. O caso levou o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) a emitir um alerta sobre a prática.

O que destacam os especialistas brasileiros?

A Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) não recomenda o consumo da placenta e alerta que, caso ela seja retirada, o manuseio deve seguir regras rígidas de biossegurança, o que dificilmente é cumprido quando a prática é feita em casa.

Moda entre famosas e o apelo simbólico

Além da esposa de Calvin Harris, famosas como Bela Gil, Lunna LeBlanc e outras já compartilharam nas redes sociais experiências com o consumo da placenta, seja em cápsulas, ou até mesmo vitaminas. A prática, no entanto, levanta questionamentos sobre o quanto a popularização de métodos sem embasamento científico pode influenciar nas decisões médicas.

Algumas mães preferem registrar o momento do parto com rituais alternativos, como impressões artísticas feitas com a placenta em papel, que simbolizam o vínculo com o bebê, uma alternativa sem riscos biológicos.

Fonte: Redação Terra
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