Especialistas elegem os melhores petiscos de praia
Há opções que minimizam o risco de contaminação, ajudam a saciar a fome e contribuem para a hidratação
Milho, açaí, sanduíches, biscoito de polvilho e espetinhos estão entre as diversas opções de alimentos comercializados à beira-mar. No verão, com praias lotadas e temperaturas elevadas, o consumo desses produtos cresce significativamente.
No entanto, nem todas as alternativas disponíveis são recomendadas por especialistas em nutrição. Seja por causa do calor intenso ou das condições de armazenamento, alguns alimentos podem representar riscos à saúde e comprometer os dias de lazer na praia.
A seguir, profissionais ouvidos pelo Estadão esclarecem as principais dúvidas sobre a alimentação na praia e sugerem o que consumir, o que evitar e quais cuidados adotar durante períodos de calor intenso e exposição ao sol.
Três fatores principais
Quando se pensa em petiscos para a praia em dias de calor, é importante considerar as longas horas de exposição ao sol. Em ambientes quentes, três pontos devem ser priorizados: hidratação, digestão e segurança alimentar.
A nutricionista Tarcila Campos, do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Oswaldo Cruz, afirma que é fundamental avaliar as condições de exposição e manipulação dos alimentos antes do consumo.
"Também vale observar se o produto está acondicionado de forma adequada, como em embalagens térmicas capazes de reduzir a incidência direta do sol. Quanto maior a manipulação e o tempo de exposição, maior o risco de intoxicação alimentar", diz.
Quais as melhores opções?
Se a opção for levar itens de casa, a dica é priorizar frutas e alimentos bem embalados, como biscoitos, de preferência integrais; sorvetes à base de água; latas ou caixinhas de água de coco e sucos, além de água e chá-mate.
"É possível ainda levar os alimentos em sacolas térmicas, mas o ideal é optar por itens que não se contaminem com facilidade", explica Daniel Magnoni, nutrólogo da Rede de Hospitais São Camilo.
Entre os legumes indicados para levar de casa, segundo ele, estão cenoura, pepino, rabanete e tomate-cereja, que podem ser consumidos temperados ou não.
Em relação aos queijos, a recomendação é muçarela de búfala em porções pequenas ou muçarela tradicional cortada em pedaços menores, que resistem melhor ao calor.
Amendoim, castanhas e nozes também se enquadram como boas escolhas, de acordo com Tarcila.
Dos alimentos vendidos na praia, a nutricionista ressalta o milho cozido. Ele pode ser temperado com azeite ou pimenta-do-reino e, desde que consumido sem adição de manteiga ou margarina, é uma boa pedida.
Água de coco, sanduíches simples e porções de peixe ou frango feitas na hora também costumam ser seguros para consumo à beira-mar.
O que evitar?
Os alimentos que devem ser evitados são aqueles que levam molhos ou cremes, pois apresentam maior risco de contaminação, de acordo com Magnoni.
"Maionese, cremes brancos e molhos com mel entram nessa lista. Doces com recheio cremoso, frutos do mar e petiscos mergulhados em molhos, como rosé, maionese ou agridoce, também devem ser evitados. Esses molhos se contaminam com facilidade, inclusive durante o transporte, e o risco aumenta ainda mais depois de ficarem muito tempo expostos na praia", explica.
Tarcila também recomenda evitar frituras e carnes expostas por longos períodos, como espetinhos vendidos por ambulantes que circulam por horas. "Esse tempo de exposição pode diminuir a qualidade daquele alimento para o nosso organismo", diz.
A nutricionista alerta que espetinhos malpassados e frutos do mar crus, como ostras, estão entre os alimentos que mais oferecem riscos na praia.
Boas escolhas para crianças
Para os pequenos, o ideal é apostar em sanduíches naturais. É possível preparar versões com berinjela ou abobrinha grelhada e queijo fatiado, sem molhos ou cremes, utilizando pão de forma integral. Cenoura e pepino temperados com um pouco de sal e azeite também podem agradar, assim como os tomatinhos, de acordo com Magnoni.
Além dos sanduíches, biscoitos doces e salgados podem ser opções práticas para as crianças, sempre consumidos com oferta constante de líquidos, essencial para evitar a desidratação em dias de calor intenso.
Tarcila recomenda ainda frutas refrescantes, como uvas congeladas, que ajudam na hidratação e podem substituir doces ou sorvetes, sendo alternativas mais leves para o consumo na praia.