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Escala 6×1: Os impactos na saúde e o movimento pelo fim do modelo

Com prejuízos à vida do trabalhador, a escala 6x1 parece estar com os dias contados, mas isso não significa o fim do problema

30 abr 2026 - 16h24
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Com prejuízos à vida do trabalhador, a escala 6×1 parece estar com os dias contados, mas isso não significa o fim do problema

O que começou como um burburinho na internet está se encaminhando para virar lei federal. A famosa escala, na qual se trabalha seis dias para ter apenas um de folga, é atualmente o regime de trabalho mais utilizado no Brasil. Especialmente em setores que exigem menor qualificação formal, como comércio, serviços, atendimento ao público e indústrias. Embora nunca exatamente querida pelos trabalhadores, a jornada de 44 horas semanais — estabelecida pela Constituição de 1988 — é o que tem sustentado esse modelo legalmente nas últimas décadas.

Businessman holding an hour glass, signifies the importance of being on time
Businessman holding an hour glass, signifies the importance of being on time
Foto: Revista Malu

Agora, o cenário pode mudar. Após o movimento Vida Além do Trabalho (VAT), fundado em 2023 pelo então balconista e atual vereador Rick Azevedo ganhar notoriedade nas redes sociais, a possibilidade de mudanças na lei passou a ser discutida tanto pela sociedade civil quanto pelo Poder Legislativo. A deputada federal Erika Hilton abraçou a causa e apresentou a PEC 8/2025, que propõe a redução da jornada para três folgas semanais (o modelo 4×3) e busca extinguir a escala 6×1. Embora a proposta seja considerada inviável por grande parte dos empregadores, um "meio-termo" parece ganhar força na escala 5×2, já praticada em diversos setores e vista com bons olhos pelo governo federal.

"Nosso próximo desafio é o fim da escala 6×1 de trabalho, sem redução de salário. O tempo é um dos bens mais preciosos para o ser humano. Não é justo que uma pessoa trabalhe duro toda a semana e tenha apenas um dia para descansar o corpo e a mente e curtir a família", declarou o presidente Lula em mensagem ao Congresso Nacional.

O problema da escala 6×1

Para a psicóloga Aline Graffiette, o maior prejuízo deste regime é a privação do descanso. "A escala 6×1 pode gerar um cansaço acumulado e reduzir drasticamente o tempo de convivência social e familiar, o que impacta diretamente a saúde mental. No entanto, é preciso ressaltar que o adoecimento psíquico não é exclusivo dessa escala; é um fenômeno mundial relacionado às novas dinâmicas do trabalho", reforça.

De fato, o trabalhador brasileiro enfrenta desafios crescentes na saúde emocional. O diagnóstico de Síndrome de Burnout cresceu impressionantes 136% entre 2019 e 2023, segundo levantamento do INSS, sendo que 70% dos diagnosticados são mulheres. Ao todo, o país somou mais de 4 milhões de afastamentos profissionais motivados por questões de saúde mental em 2025, de acordo com o Ministério da Previdência. "Pouco tempo de descanso e de vida social pode, sim, estar associado ao aumento de doenças mentais, incluindo o burnout. Mas eu não coloco a escala 6×1 como a única responsável por isso. Uma eventual redução da jornada, se vier acompanhada de queda na renda ou necessidade de dois empregos, pode gerar ainda mais estresse e frustração, aumentando o risco de adoecimento no médio prazo", alerta a psicóloga.

Em busca de qualidade de vida

Para Aline, a mudança de escala é uma evolução natural da sociedade. Mas um dia a mais de descanso, sem refletir sobre a situação do trabalho como um todo no Brasil, não será uma solução mágica. "Existem outros fatores envolvidos, como pressão por resultados, ambiente organizacional e insegurança financeira. A análise precisa ser mais ampla, considerando não só as horas de trabalho, mas também os impactos econômicos e sociais. A saúde mental é um direito fundamental que envolve o equilíbrio entre trabalho, lazer e segurança material."

Nesse contexto, a discussão promete ser longa. O levantamento de 2025 do DIEESE concluiu que, para viver bem, uma família de quatro pessoas deveria receber um salário médio de R$ 7,1 mil para suprir necessidades básicas e lazer. Como o salário mínimo atual, mesmo com ganho real acima da inflação, está fixado em R$ 1.621, uma coisa é certa: a mudança da escala é apenas o começo de uma conversa muito mais profunda sobre dignidade no mercado de trabalho.

Enquanto não muda…

Embora o fim da 6×1 esteja sendo debatido de forma acalorada, o desfecho desse processo legislativo ainda não tem data definida. Para a psicóloga Aline Graffiette, independentemente da escala vigente, os trabalhadores devem priorizar o autocuidado. "O cansaço excessivo impacta a atenção e a concentração. É importante organizar o tempo disponível, priorizar o descanso real e buscar momentos de qualidade com pessoas próximas. Também é válido buscar apoio psicológico e cuidar do planejamento financeiro para reduzir as inseguranças", conclui.

Revista Malu Revista Malu
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