Entenda as causas da ansiedade durante a gravidez
Médica explica que o excesso de informações relacionadas ao parto pode aumentar a preocupação das gestantes
Além de muitas mudanças físicas, ocorrem também inúmeras mudanças emocionais, sensações e vivências entre o dia em que se recebe a notícia de uma gravidez até o nascimento de um filho. Este é um tempo de espera… muita espera… Ato com o qual as mulheres não estão mais acostumadas… Afinal, no mundo moderno, mudanças e informações estão cada vez mais velozes, e tudo gira muito rápido à nossa volta. Ninguém tem tempo a perder.
Velocidade das informações durante a gestação
As grávidas são pessoas à espera de serem mães, o que gera muita ansiedade e angústia. Soma-se a isso o incrível aumento das informações que o avanço da tecnologia na área médica proporcionou. Hoje, podemos acompanhar e saber sobre o desenvolvimento de um feto a cada semana e perceber suas mudanças ao longo da gravidez. Podemos até estabelecer um padrão comportamental por meio de ferramentas avançadas como a tecnologia 4D dos aparelhos de ultrassom.
Isso é fantástico! Afinal, é compreensível que a mulher moderna queira todas as informações possíveis e imagináveis de um serzinho que está crescendo e se desenvolvendo no claustro de seu útero, mas longe dos seus olhos. Contudo, a possibilidade de obter cada vez mais informações acerca da gravidez também traz consigo muita ansiedade.
Período de muitas expectativas e ansiedade
As preocupações se iniciam desde as primeiras semanas de gravidez até o parto, momento em que imperam a preocupação e a expectativa que tudo dê certo para finalmente ter o bebê nos braços.
No primeiro ultrassom, já queremos ouvir o batimento do embrião, que muitas vezes tem apenas 5 mm de comprimento. Este som acalma nossos corações… Mas é só o início de uma quantidade imensa de exames no período pré-natal e de uma jornada na qual as grávidas experimentam incontáveis vezes sentimentos de aflição e ansiedade diante de uma possível notícia inesperada.
Diferentemente do passado
Antigamente, essa angústia era justificada por não saber nada sobre o feto até o parto, pois não havia tecnologia suficiente. Todas as informações sobre o novo ser eram obtidas somente após o nascimento, que por si só já é um evento estressante. Já atualmente, existe a disponibilidade de uma incrível quantidade de informações no período pré-natal, o que também gera uma carga enorme de preocupações e ansiedade.
Ou seja, a grávida é um ser ansioso, sim. Mas convenhamos: não é sem motivos! Este é o mundo emocional da grávida. Compreendê-lo é o primeiro passo para ajudá-las.
Por Viviane Almeida de Alcantara Lopes
Possui graduação em Medicina pela Universidade de Brasília (1999). É mestre em ciências pelo Departamento de Obstetrícia da Universidade Federal de São Paulo. Tem experiência na área de Obstetrícia, com ênfase em Medicina Fetal.
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