Entenda a ELA, doença que matou Eric Dane, de 'Grey's Anatomy'
A morte do ator Eric Dane, célebre por papéis em Grey's Anatomy e Euphoria, aos 53 anos, reacendeu o interesse em entender o que é a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Saiba detalhes da doença.
A morte do ator Eric Dane, célebre por papéis em Grey's Anatomy e Euphoria, aos 53 anos, reacendeu o interesse em entender o que é a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). A doença, que o ator tornou pública em abril de 2025, período em que ocorriam as gravações de Euphoria, ainda gera muitas dúvidas. Trata-se de uma enfermidade neurológica grave, de evolução progressiva, que afeta a capacidade do corpo de controlar os músculos voluntariamente.
A ELA é uma doença rara, mas ganhou maior visibilidade mundial nos últimos anos por afetar pessoas conhecidas e por campanhas de conscientização. Mesmo assim, muitas explicações circulam de forma incompleta ou confusa. Assim, entender como ela funciona, quais são os sintomas e os tratamentos disponíveis ajuda a contextualizar casos como o de Eric Dane e de tantos outros pacientes ao redor do mundo.
O que é Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)?
A Esclerose Lateral Amiotrófica é uma doença neurodegenerativa que atinge os neurônios motores, células responsáveis por enviar comandos do cérebro e da medula espinhal para os músculos. Assim, quando esses neurônios adoecem e morrem, os músculos deixam de receber estímulos adequados e começam a enfraquecer, atrofiar e perder coordenação. Com o tempo, atividades simples como caminhar, segurar objetos, falar, engolir e até respirar tornam-se cada vez mais difíceis.
A expressão "esclerose lateral" refere-se a alterações na medula espinhal, onde há endurecimento (esclerose) de regiões laterais devido à perda de neurônios. Por sua vez, "amiotrófica" indica a atrofia muscular decorrente da falta de estímulo nervoso. No entanto, a mente costuma permanecer preservada na maior parte dos casos. Ou seja, a pessoa mantém consciência e capacidade de raciocínio, mesmo diante da perda progressiva da função motora.
Quais são os sintomas e como a ELA evolui?
Os sintomas da ELA podem começar de forma discreta e variam de pessoa para pessoa. Em alguns casos, o início é em um membro, como uma mão que perde força ou uma perna que passa a tropeçar com frequência. Em outros, os primeiros sinais aparecem na fala ou na deglutição, com alterações na voz, dificuldade para articular palavras ou engolir.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- Fraqueza muscular em braços, pernas ou pescoço;
- Atrofia de músculos, que se tornam mais finos e menos firmes;
- Câimbras e contrações musculares involuntárias (fasciculações);
- Dificuldade para falar e engolir (disartria e disfagia);
- Comprometimento progressivo da respiração, exigindo suporte ventilatório em fases avançadas.
A evolução costuma ser gradual, mas contínua. Assim, a pessoa passa por etapas de adaptação: primeiro, mudanças na rotina; depois, necessidade de bengalas, cadeiras de rodas e, mais adiante, de aparelhos para ajudar na respiração. Porém, a gravidade e a velocidade de progressão são variáveis. Em geral, a ELA é uma doença que reduz significativamente a expectativa de vida após o diagnóstico.
Quais são as causas da ELA e quem pode desenvolver a doença?
Ainda não se conhece totalmente a causa exata da ELA. A maioria dos casos tem classificação de esporádica. Ou seja, surge sem histórico familiar aparente. Uma parcela menor, em torno de 5% a 10%, é considerada familiar, quando há mutações genéticas herdadas que aumentam o risco de desenvolver a doença.
Assim, pesquisas apontam para uma combinação de fatores:
- Genéticos: alterações em genes específicos, como SOD1, C9orf72 e outros;
- Ambientais: exposição a toxinas, certos produtos químicos ou metais pesados é estudada, mas sem consenso definitivo;
- Biológicos: processos de inflamação, acúmulo de proteínas alteradas e estresse oxidativo nas células nervosas.
A ELA costuma surgir mais frequentemente entre os 50 e 70 anos, mas também pode atingir pessoas mais jovens ou mais velhas. Ademais, homens e mulheres podem ser diagnosticados, com discreta predominância masculina em alguns estudos. Não há, até o momento, um exame preventivo universal para a forma esporádica da doença.
Como é feito o diagnóstico da Esclerose Lateral Amiotrófica?
O diagnóstico de ELA é clínico e exige avaliação cuidadosa por neurologista. Não existe um único exame que confirme a doença de forma isolada. Em geral, são combinadas observação dos sintomas, histórico detalhado e testes complementares para excluir outras enfermidades que podem causar quadro semelhante.
Entre os principais exames utilizados estão:
- Eletroneuromiografia: avalia a atividade elétrica dos músculos e dos nervos;
- Ressonância magnética: ajuda a descartar lesões na medula ou no cérebro com outra origem;
- Exames laboratoriais de sangue e, em alguns casos, análise do líquor (líquido cefalorraquidiano);
- Testes genéticos em situações de suspeita de forma familiar.
Esse processo pode levar algum tempo, pois muitas doenças precisam ser consideradas antes de se chegar à confirmação. O diagnóstico precoce, porém, é importante para iniciar o tratamento de suporte e o acompanhamento multidisciplinar o quanto antes.
Existe cura para a ELA? Como é feito o tratamento?
Até 2026, a ELA não tem cura conhecida. O tratamento é focado em retardar a progressão da doença, aliviar sintomas e manter a melhor qualidade de vida possível. Em vários países, incluindo o Brasil, estão disponíveis medicamentos que podem desacelerar a degeneração dos neurônios motores em certos casos, embora não revertam o quadro.
O cuidado costuma envolver uma equipe multiprofissional, com:
- Neurologia, para acompanhamento clínico e ajustes de medicação;
- Fisioterapia, para preservar mobilidade e reduzir dores e encurtamentos musculares;
- Fonoaudiologia, auxiliando na fala e na deglutição;
- Nutrição, para evitar perda excessiva de peso e desnutrição;
- Pneumologia, responsável por monitorar a função respiratória e indicar ventilação não invasiva quando necessário;
- Apoio psicológico e social, fundamental para paciente e familiares.
Avanços em pesquisas, como terapias gênicas, novas drogas neuroprotetoras e recursos tecnológicos de comunicação para pessoas com mobilidade reduzida, vêm sendo estudados de forma intensa. Casos conhecidos, como o de Eric Dane, tendem a estimular discussões públicas sobre investimento em ciência, acesso a tratamento e suporte a pacientes com doenças neurodegenerativas.
Compreender o que é a Esclerose Lateral Amiotrófica permite interpretar melhor notícias sobre personalidades que convivem com a doença e, ao mesmo tempo, amplia a atenção para sinais que merecem avaliação médica. Informação clara e precisa contribui para diagnósticos mais rápidos, organização do cuidado e fortalecimento de redes de apoio, que fazem diferença no cotidiano de quem recebe esse tipo de diagnóstico.