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'Tem que aprender a dosar junk food', diz médico sobre obesidade no Brasil

Endocrinologista alertou sobre incidência da doença em crianças, o que pode levar à diminuição na expectativa de vida

24 mai 2013
17h19
atualizado às 17h19
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Mais de 65 milhões de brasileiros, equivalente a 40% da população, estão com sobrepeso e a obesidade já atinge 10 milhões de pessoas, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia. Ultrapassar o país conhecido pelos hábitos alimentares ricos em calorias e por ter 35,7% dos adultos obesos não será difícil.  “O Governo brasileiro pode baratear alimentos saudáveis e taxar os que não são saudáveis, como está sendo feito nos EUA. Se não seguirmos esta linha, podemos ultrapassar os EUA”, alertou o endocrinologista Maurício Hirata.

Em entrevista ao Jornal do Terra, o médico afirmou que a obesidade é uma “epidemia mundial”. O problema começou nos EUA, já atinge os países subdesenvolvidos e os pobres, segundo ele. Hirata acredita que o Governo e o Ministério Público têm papel fundamental no combate à obesidade. “A questão da ginástica, a pessoa não tem dinheiro para fazer academia, vai ao parque, mas não tem atividades e segurança. A lei trabalhista, o pessoal tem que trabalhar nove horas por dia e ainda perde muito tempo no trânsito. As pessoas ainda caminham menos porque não tem transporte público”, enumerou o especialista.

Nos EUA, 16,9% das crianças e adolescentes com idades entre 2 e 19 anos estão obesos, de acordo com estudo feito pela Fundação Robert Wood Johnson e pela Trust for America's Health. A preocupação no Brasil também está focada na incidência da doença na juventude. Segundo Hirata, já existem crianças com diabetes tipo 2. Ele ressaltou a má qualidade de alimentos vendidos nas cantinas de escolas particulares e como a obesidade infantil pode afetar o futuro. “A partir dos seus anos não pode mais estar fora do peso, senão será a primeira vez na história que a expectativa de vida vai cair”, estimou.

O primeiro passo para resolver o problema é educando os pais, que dão exemplo aos filhos, disse Hirata.  Segundo ele, é preciso estimular a alimentação saudável das crianças dentro de casa, a começar pelo jantar em família à mesa e não em frente à televisão como acontece com frequência nas famílias. “Tem que aprender a dosar junk food, um hambúrguer do McDonald’s é nutritivo, mas não para todos os dias”, explicou o médico. As atividades físicas também devem fazer parte dos novos hábitos, mesmo que seja por 30 minutos diários.

Elaborar um plano único para combater a doença é difícil, pois cada paciente tem uma necessidade diferente, explicou. Comer a cada três horas pode não funcionar para um executivo que passa o dia em reuniões, assim como atividades físicas regulares não é possível para alguém que trabalha 12 horas por dia. O ideal, de acordo com Hirata, é que o médico estipule um tratamento ideal de acordo com o perfil de cada paciente.

Existem vários exames que diagnosticam a obesidade. Hirata citou a bioimpedância – exame feito com corrente elétrica que mede nível de gordura, água e massa magra -, cálculo do Índice de Massa Corporal e medida da circunferência abdominal. Segundo ele, não é possível confiar no resultado de apenas um dos procedimentos: “a pessoa pode ter o IMC alto, mas você vai ver é só pele e músculo”, exemplificou.

Fonte: Terra
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